Jogos certos podem ajudar no combate às doenças da mente

Saúde mental é um assunto sério que nem sempre é abordado da forma correta. Ainda nos dias de hoje, existe muito tabu em torno das doenças da mente. Mesmo assim, a ansiedade é considerada o mal do século e a depressão está prevista para ser a doença mais incapacitante num futuro próximo.

Falar de saúde mental deveria ser tão normalizado quanto considerar o bom funcionamento de qualquer parte do corpo. Isso porque as informações certas, vindas de profissionais capacitados, aproximam os cuidados com a mente em atividades tão rotineiras, como sentar para jogar videogame no fim do dia.

Pode soar estranho, mas é verdade. Outro tabu da sociedade é em relação ao mundo dos videogames e jogos em geral. Frequentemente, associa-se o jogo ao vício, e essa patologização da atividade sem precedentes afasta muitas pessoas daquilo que poderia ser um verdadeiro aliado na manutenção do bem-estar.

No melhor dos casos, os jogos são vistos como diversão e lazer. Mesmo que isso não esteja necessariamente incorreto, deve-se lembrar que os dois conceitos são, na verdade, essenciais para a manutenção da saúde mental. Ênfase ainda maior para os jogos em que a interação entre os jogadores é necessária.

RPG e aplicações clínicas

Os jogos de RPG, role-playing-game, são bastante populares no mundo todo. Neles, os jogadores assumem papéis de personagens e criam histórias colaborativamente. Trata-se de um clássico entre quem é considerado nerd ou geek. Um cenário fictício, também conhecido como mundo ou narrativa, também é uma parte essencial desse tipo de jogo.

Neles, existe sempre um mestre que conduz a narrativa e o objetivo final, mas é uma premissa que o trabalho seja feito colaborativamente. Exatamente por isso, clínicas de todo o mundo tem começado a utilizar jogos de RPG no auxílio ao tratamento de doenças da mente.

Como a competição é quase nula e a colaboração é o foco, essa interação tem ajudado diversos pacientes a se recuperarem. Vale dizer que assumir um personagem num contexto lúdico também ajuda na autoestima. Várias pessoas que têm receio de expressar traços de sua personalidade por timidez conseguem fazê-lo num jogo de RPG.

Existem diversas formas de jogar RPG. A mais comum é por meio dos tabuleiros. Atualmente, contudo, cresce cada vez mais o número de adeptos dos jogos on-line. Em ambos os casos, é importante que o jogo entre para a vida do paciente como uma alternativa, jamais como único método de cura.

Vale lembrar, também, que a atividade deve fazer parte do cotidiano como qualquer outra. A dedicação exclusiva ao jogo pode, ao contrário do desejado, ser mais prejudicial que benéfica. Como em qualquer tratamento, é importante que exista o acompanhamento de profissionais qualificados.

Do tabuleiro ao digital

Não é bem uma novidade que games podem auxiliar nas funções da mente para a manutenção da saúde. Jogos de tabuleiro, como dama e xadrez, são velhos aliados na promoção desses objetivos, afetando diretamente a saúde mental. Esse tipo de jogo estimula, entre outras coisas, o raciocínio lógico.

Isso tem efeito direto no tratamento das doenças da mente. O xadrez, em especial, também é um grande aliado no tratamento do TDAH, o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperativismo.

No entanto, mesmo os videogames e jogos on-line certos podem ser extremamente benéficos como agentes auxiliares em tratamentos. Assim como o xadrez, jogos digitais de estratégia auxiliam no desenvolvimento do raciocínio lógico.

Outro fator é que uma relação saudável com games ajuda jogadores a lidarem bem com as frustrações. E, assim como no RPG, jogos, em especial, os on-line, incentivam a interação com outras pessoas.

O importante é, mais uma vez, ter o conselho de um profissional qualificado. Nem todos os jogos são benéficos ou recomendados para todas as idades. Além disso, a luz das telas digitais em excesso pode ser prejudicial.

O ideal é que a rotina de jogos também seja um programa como qualquer outra atividade do cotidiano. Uma recomendação básica é evitar jogar a noite. Isso porque o estímulo antes de dormir pode alterar a qualidade do sono.

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