Eles mostram a importância da diversidade dentro do mercado e alertam para ações contínuas

A movimentação nas redes sociais no começo de junho por parte de ativistas e defensores das causas dos movimentos negros escancarou mais uma estrutura frágil da sociedade.

Nem de longe um problema recente, o racismo presente nas diversas camadas, desde as relações pessoais ao capitalismo, gerou uma revolta impulsionada pela morte do americano George Floyd.

Enquanto as ruas foram tomadas por milhares de pessoas, mesmo em meio a uma pandemia, exigindo o exercício dos seus direitos básicos de cidadãos, a internet pipocou de hashtags e perfis disputando espaço no diálogo que se abriu.

No Brasil, comunicadores brancos abriram seus perfis com milhões de seguidores para pessoas negras tomarem a frente da discussão e terem o alcance necessário para que o assunto ganhe ainda mais relevância por aqui.

Para o mercado não foi diferente. Marcas foram obrigadas a se posicionarem, e muitas delas enfrentaram denúncias públicas de quem viu nas postagens um simples oportunismo de lucrar.

Se o mercado se beneficiou amplamente com a existência dos influenciadores, ainda existe uma lacuna — que, aos poucos, vem sendo preenchida por profissionais negros que buscam fazer a diferença em um ambiente que ainda é predominantemente branco. Conheça um pouco sobre alguns deles a seguir.

Ana Paula Xongani

YouTuber e uma das fundadoras da marca Xongani, Ana Paula é formada em design e realiza palestras como convidada em eventos em todo o país.

Focada em disseminar sua visão da moda afro-brasileira, Ana Paula consegue atingir um público que tem exigido das marcas cada vez mais um posicionamento coerente com o produto e sua realidade de consumo.

Como empreendedora, recebeu o Prêmio EmpregueAfro, em 2015, sendo um dos nomes que promove a diversidade e a valorização de grupos negros dentro do mercado.

Em entrevista ao Meio&Mensagem, Ana Paula destaca a importância das marcas nesse debate: “se essa consciência não for por responsabilidade social, que seja por grana, porque dá certo no final”.

Uma das responsáveis do projeto Influência Negra, que tem como proposta divulgar e valorizar conteúdos digitais feitos por pessoas negras, Ana Paula foi convidada para reformular uma das campanhas da Colgate, após repercussão negativa nas redes sociais.

Ricardo Silvestre

Fundador da agência Black Influence, Ricardo Silvestre atua com empresas que desejam comunicar seus produtos e ações por meio de produtores de conteúdo negros, mas que ainda não sabem muito bem como se aproximar deles.

Segundo Ricardo, um dos maiores desafios é fazer as empresas entenderem que a comunicação deve ir além de datas, como o Mês da Consciência Negra, ou momentos atípicos, como mais recentemente. É importante reconhecer a existências dessas pessoas como consumidores, e trabalhar as especificidades de linguagem desse público.

Ricardo ainda destaca que a remuneração de influenciadores brancos e negros é muito desigual. Enquanto os brancos recebem cachês maiores ou mais tempo de visibilidade, os negros recebem propostas de permuta e em épocas específicas.

Ad Junior

Head de marketing na Trace Brasil, Ad Junior mantém um canal no YouTube com mais de 70 mil inscritos, no qual aborda questões de racismo no cotidiano, cultura e mercado.

Analisando não só o contexto internacional, com a ida às ruas em massa após o caso Floyd, mas o cotidiano brasileiro, Ad defende: “de forma geral, sempre tivemos um povo meio isento em relação ao assunto e, agora, não tem mais como ser isentão”.

Isso vale não só para as pessoas, que passam a serem confrontadas com suas opiniões e posicionamento sobre o assunto, mas para as marcas, que não podem abrir mão do seu compromisso com os consumidores.

Também em entrevista ao Meio&Mensagem, ele ainda acrescenta: “agora, a expectativa é de que as marcas passem a se pautar pela representatividade, e uma representatividade real, com cara de Brasil, com produtos com a cara da população, trazendo pessoas negras em todos os setores dentro das empresas”.

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*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

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