oberg codern entrevistaFundamentais para a exportação de frutas frigorificadas e de sal a granel no Nordeste brasileiro, o Porto de Natal e o Terminal Salineiro de Areia Branca são administrados pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), entidade vinculada à União Federal. A diversificação das cargas movimentadas em Natal e a construção de um retroporto com integração rodo-ferroviária estão entre os principais desafios do almirante de esquadra Elis Treidler Öberg, nomeado para o comando da Companhia em fevereiro deste ano, como parte da estratégia do Ministério da Infraestrutura em selecionar profissionais aptos para "coordenar pessoas na execução de projetos complexos".

Em entrevista ao Portogente, o diretor-presidente Öberg destacou alguns dos principais desafios de sua gestão, incluindo o aumento da segurança das operações e a execução de melhorias essenciais no pátio de descarga, de forma a otimizar os processos de movimentação da carga. "O comando de alguns navios ao longo do curso da carreira me fez conhecer os portos sob o ponto de vista de um dos seus principais componentes - o navio - e, hoje, inegavelmente, essa experiência tem me ajudado".

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Portogente - Quais os planos para a diversificação de cargas movimentadas e para o aumento da produtividade nas operações realizadas no Porto de Natal?
Elis Treidler Öberg - Essa é uma preocupação permanente, até por que o Porto de Natal é de pequeno porte, com apenas uma linha de escala regular. A carga principal, atualmente, é a exportação de frutas frigorificadas, por contêiner, com uma média de 1.600 unidades por mês. Há uma perspectiva de aumento desse número. A exportação de sal a granel também faz parte do portfólio do Porto de Natal de uma forma complementar às operações do Terminal Salineiro de Areia Branca. O trigo é uma carga relevante, recebida pelo Moinho Potiguar. Há um movimento menor de carga geral. Não podemos nos esquecer do moderno terminal de passageiros que nos habilita a operar cruzeiros de médio porte. Em realidade, estamos resolvendo os problemas existentes, como a segurança e melhorias essenciais no pátio de descarga, de forma a otimizar os processos de movimentação da carga, bem como a busca para a obtenção de um retroporto como condições necessárias para atrair a cabotagem para Natal, além de incrementar a possibilidade de operar com granéis sólidos e carga geral com maior intensidade.

Navio de cruzeiro com a Ponte Newton Navarro ao fundo
Navio de cruzeiros com a Ponte Newton Navarro ao fundo - Foto: Canindé Soares

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Portogente - O Porto de Natal tem localização estratégica para o envio de cargas ao continente europeu e para a costa Leste dos Estados Unidos. Como incentivar a navegação de cabotagem e o aumento da participação dos portos das regiões Norte/Nordeste no transporte marítimo brasileiro?
Elis Treidler Öberg - A posição geográfica de Natal, bem como de outros portos nordestinos, é realmente estratégica quando se fala em destinos como Estados Unidos, Europa e Caribe. No caso de Natal, estão sendo tomadas medidas primárias para otimizar processos e incrementar a eficiência das operações, tornando o Porto mais atrativo tanto para os proprietários das cargas como para os operadores portuários e armadores. Entretanto, torna-se ponto pacífico que para incrementar as operações, tanto de cabotagem como de longo curso, são necessários alguns investimentos de vulto, em especial um retroporto remoto que faça a integração rodo-ferroviária ao Porto, harmonizando a sua operação com a Cidade, sem criar dificuldades urbanas causadas pela excessiva presença de cargas sendo transportadas pelas vias centrais da capital potiguar.

Portogente - Como sua experiência junto à Marinha do Brasil pode auxiliar na implantação de uma gestão mais eficaz da Codern?
Elis Treidler Öberg - Assumir a função de diretor-presidente da Codern está sendo um desafio, mas posso dizer que é um bom desafio e extremamente gratificante, uma vez que proporciona a satisfação decorrente da contribuição ao desenvolvimento do Brasil e do Rio Grande do Norte. Durante 47 anos vivi a Marinha, visitando um bom número de portos brasileiros, mantendo contato com a comunidade marítima e aprendendo bastante sobre as dificuldades que afetam o setor. O comando de alguns navios ao longo do curso da carreira me fez conhecer os portos sob o ponto de vista de um dos seus principais componentes - o navio - e, hoje, inegavelmente, essa experiência tem me ajudado. Ao exercer alguns cargos na alta administração naval, em especial os de diretor-geral de Navegação e Comandante de Operações Navais, pude estar bem próximo das ações da Autoridade Marítima e da Diretoria dos Portos e Costas (DPC), na ocasião minha subordinada e que age de forma intensa próxima à área portuária. Essas experiências têm sido essenciais para desempenhar o cargo que ora exerço. Por outro lado, a atividade de administração pública e finanças esteve presente durante todo o tempo nos cargos de diretor de Sistemas de Armas da Marinha e diretor-geral de Pessoal da Marinha, que forneceram o ferramental que hoje utilizo.

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