O Brasil está no topo do ranking mundial dos exportadores de commodities agrícolas e também no de alimentos industrializados.
29,6% desse volume de cargas são embarcados no Porto de Santos.
Olhando de uma perspectiva simplista, com lentes cor-de-rosa, esses números, parecem dar posições sólidas para a economia brasileira e para o porto santista que tendem a se consolidar e ampliar. Isso porque alimentos são gêneros de primeira necessidade e o agronegócio brasileiro pode ser considerado um dos principais celeiros do mundo. Um exemplo claro desse potencial foi a rápida diversificação para novos mercados pelos exportadores brasileiros pós tarifaço imposto em julho por Donald Trump para os nossos produtos. As exportações brasileiras atropelaram o tarifaço e cresceram 3,5% em valores e 5,7% em volumes em 2025.
Olhando com a bola de cristal, entretanto, algumas nuvens cinzentas parecem anunciar tempestades num futuro próximo.
Como pontos positivos, a participação brasileira nos Brics, articulada em 2009 e que alavancou a China para a posição de principal parceira comercial do país, fato que pode se repetir parcialmente com a Índia. China e Índia têm as maiores populações e portanto os maiores consumos mundiais de alimentos. Parceria perfeita para o maior exportador.
Outro ponto altamente positivo acontece neste sábado, (17/01): a assinatura do acordo Mercosul - União Europeia. Trata-se da terceira maior população do planeta abrindo as portas e os portos para os produtos brasileiros. A UE tem 450 milhões de habitantes e um potencial de consumo per capita bem acima do nível das duas gigantes asiáticas que têm cada uma 1,4 bilhão de habitantes
E as tais nuvens cinzentas, então? Onde estão?
Estão, infelizmente, nas turbulências políticas e climáticas que redesenham a vida no planeta.
Climaticamente, não podemos esquecer as imagens terríveis de um estado brasileiro, o Rio Grande do Sul, praticamente inteiro submerso em maio de 2024, comprometendo não só a vida, a segurança e os bens das famílias mas também rebanhos e plantações. Os desequilíbrios climáticos que se multiplicam e se intensificam ameaçam do lado da produção.
E politicamente, é imprevisível o que pode vir nos próximos dias / meses da cabeça do presidente da maior potência do planeta. Nesta semana Trump anunciou tarifas para países que fazem negócios com o Irã, que está na décima-primeira posição entre os maiores compradores de produtos brasileiros, US$ 2,9 bilhões em 2025.
De sanções, ele passa a retaliações e até agressões com facilidade. Como a China é o alvo principal de Trump, é desses desequilíbrios da geopolítica mundial que vem a outra ameaça às exportações brasileiras de alimentos pelo lado do consumo.
Espremidos entre as quatro potências econômicas ou bélicas da nova ordem mundial, Rússia, EUA, UE e China, resta aos brasileiros esperar habilidade do governo nas negociações e orar.
O Brasil precisa de mais oração e menos cachaça, exatamente o contrário do que disse na época o Papa Francisco.








