Portogente fez um levantamento da situação das concessionárias de caminhões que trabalham com pós-venda, na manutenção preventiva e na manutenção de correção.

Apuramos que na região Sul a maior parte das grandes concessionárias estão fechadas, assim como as chamadas de galpão. No Rio Grande do Sul, duas concessionárias estão operando em regime emergencial, para atender ambulâncias, caminhões carregados com produtos perecíveis, ônibus e caminhões da limpeza urbana. As equipes dessas empresas têm sido reduzidas e algumas já estão colocando seus empregados em férias. Serão montadas equipes para atender casos emergenciais: ambulâncias, caminhões carregados de carne, frutas, ônibus. Casos preventivos não estão sendo atendidos.

Caminhão mar 2020Imagem apenas ilustrativa. Crédito: Freepik.

Conversamos com um representante de uma empresa do setor, por questões de segurança em relação ao seu emprego, vamos manter a fonte no anonimato.

Portogente - Como as concessionárias de venda e conserto de caminhões estão realizando seus trabalhos neste momento em que o Brasil se mobiliza contra o novo coronavírus?
Temos um telefone 0800 para caminhões na estrada, que estão na garantia ou em contrato de manutenção, as concessionárias estão fechando e não tem nenhuma aberta em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, somente duas em atividade parcial. Nós vamos continuar atendendo no plantão dentro da oficina, a intenção é atender as emergências, pois entendemos que nessa situação não temos como fechar, pois são casos de extrema necessidade e o caminhão precisa trabalhar, levar a carga, distribuir alimentos, medicamentos, transportar pessoas (como o caso de ônibus), recolher lixo (urbano e carga para aterros). O intuito é ajudar o cliente e a população. Se parar tudo e mesmo por um problema menor, tiver que encostar e não atender, a sociedade ficará sem assistência para as necessidades básicas.

O que vocês indicam aos motoristas de caminhão que estão circulando nas estradas com as cargas?
Indicamos que evitem parar, precisam se organizar para não parar, até por que há poucos restaurantes abertos nas estradas. É mais seguro que o caminhoneiro faça sua própria alimentação, até porque é mais higiênico e cada um sabe de si. Quando for preciso, recomendamos parar num só posto e fazer tudo o que precisa: abastecer o caminhão, tomar um banho, pegar suprimentos, faz a refeição sozinho, evitando o hábito de se juntar com outros colegas. Se precisar parar, manter distância das pessoas e se proteger, com seu álcool, sabão, água (a maioria dos caminhões tem um reservatório que utilizam para lavar as mãos).

E para os clientes, proprietários de caminhões?
Estamos orientando os clientes a trabalhar com a manutenção corretiva, e não preventiva. Ou seja, coisas que realmente dão problema, como uma correia que arrebentou ou está prestes a arrebentar, uma mangueira d´água, o freio ruim. Itens essenciais de segurança. Estamos fazendo check list do veículo que chegam na concessionária para ver quais os itens que precisam reparo de correção, e não prevenção. O intuito é arrumar o que vai estragar ou está estragado. O que a gente avalia que tem condição de rodar a gente libera e bota para rodar. Estamos passando isso para os clientes.

Vocês podem passar um quadro de como está esse serviço no sul do Brasil e mesmo no Brasil?
O que estamos sabendo é que a maioria das oficinas pequenas, que chamamos de galpão, estão fechadas, até por que não há venda de peças. As revendas de peças grandes fecharam por que cortaram o crédito, pois há o risco de comprarem muitas peças e não pagarem. Pois estão esperando uma crise e pensando como vão pagar o que estão comprando. Não terão como pagar depois, e fecharam, não vendem, para não tomar calote. Só vão aceitar débito e crédito, sem boleto, sem fatura, sem crédito, pois não se sabe o que será o futuro.

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