O brasileiro está bastante endividado em 2019. O levantamento estatístico de inadimplentes da Serasa Experian para o mês de junho revela um total de 63,4 milhões de endividados, o que equivale a 40,6% da população adulta, uma alta recorde desde que essa medição começou, em março de 2016.

Seja pela economia ou pela conduta pessoal, hoje, mais do que nunca, não há desculpa para não organizar o próprio dinheiro. Nesse contexto é que muita gente tem buscado se informar sobre economia doméstica e planejamento financeiro.

O planejamento financeiro evita ter que recorrer à busca por crédito. Na verdade, a organização dos gastos numa casa facilitará maior tranquilidade para conduzir a vida.

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O levantamento da Serasa Experian citado acima aponta que a maior parte dos inadimplentes no Brasil tem entre 41 e 50 anos.

Esse grupo etário corresponde a 20% do contingente total de endividados e, em geral, é a parcela da população que já tem família constituída.

Assim, todas as famílias podem se servir dos seguintes três princípios para controlar gastos, tirar o melhor possível das oportunidades que aparecem e prosperar.

Na ponta do lápis

Quem não está acostumado a controlar gastos, costuma "patinar" no começo. Quanto mais precisamente se anota a entrada e a saída de dinheiro de uma casa, maior é a chance de o controle dar certo.

É extremamente difícil disciplinar gastos mentalmente. De cafezinho em cafezinho, o dinheiro vai embora e a gente nem percebe. Pode parecer exagero, mas é real, especialmente com gastos em família.

Por isso, vale a pena registrar receitas e gastos (isso é, entradas e saídas de dinheiro) numa planilha. Há vários modelos online, fáceis de encontrar numa rápida busca.

A ideia é fazer uma previsão dos gastos fixos no começo do mês para saber quanto poderá ser gasto no final dele, com base no dinheiro previsto para entrar (salários, comissões, renda etc.).

Pode parecer simplório, mas a prática ajuda a ter domínio do próprio dinheiro.

Essa boa prática aumentará também a possibilidade futura de obter crédito. Quando você precisar bancar a faculdade do seu filho ou quiser se planejar para comprar carros financiados, o banco levará esse equilíbrio financeiro em conta.

Por incrível que pareça, o cartão de crédito pode ser um bom aliado para formalizar o controle dos gastos. Usado com sabedoria, ele permite concentrar o pagamento de todos os gastos fixos (planejados com antecedência) e gastos variáveis (leia adiante sobre a margem de erro) numa só data.

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Um desafio será incorporar todos os membros da família nesse controle. Criar um painel geral e deixar na cozinha pode atrair as crianças ou adolescentes a participar desse controle.

Organizar pequenas gincanas com prêmios para o melhor poupador, por exemplo, também pode ajudar a envolver todos. Aliás, a participação de todos será fundamental para que ele dê certo.

Participação

Numa família, é comum que o pai ou a mãe concentre as funções de provedor ou pagador de contas.

Mas para o bem-estar financeiro a longo prazo, é mais interessante que todos, pais e filhos, participem de alguma forma no controle.

Por exemplo: crianças não precisam ser privadas do controle financeiro. É mais interessante enxergar o orçamento como uma oportunidade de ensinar as crianças a administrar o patrimônio (nem que seja começando pela mesada)

Encarar a disciplina dos gastos como um fardo imposto a crianças é um erro. Obviamente, cabe aos pais dosar essa preocupação de modo saudável.

Outro exemplo de estimular a participação no controle é considerar todas as fontes de receita. Quando alguém está acostumado a assumir a figura de provedor(a), outros membros costumam têm menor responsabilidade financeira – diminua essa distância.

Para que todos na casa “comprem” a ideia do orçamento, é necessário dividir responsabilidades, nem que seja só um pouco mais.

Admita a margem

Você pode achar que é o gastador mais perfeccionista em matéria de controle. Mas os gastos imprevistos sempre aparecem, mais cedo ou mais tarde.

Por isso, quando planejar quanto dinheiro do orçamento pode ser gasto, vale calcular uma margem de erro. Ela costuma ser de 10% a 20% do valor estimado.

Algo central a se levar em conta na hora de fixar a margem: crianças custam caro.

Quem é pai já sabe disso na prática, mas muitas vezes tem dificuldade de controlar gastos. Fixar uma margem maior para gastos de médico, diversões e outros no começo do mês deve garantir maior jogo de cintura quando eles aparecerem.

Além do mais, não é porque a família segue uma disciplina financeira que ela vai ficar em casa o tempo inteiro olhando para o nada, evitando gastar. Também para bancar as diversões é que serve a margem.

Por mais organizados que sejamos, imprevistos podem aparecer e interromper os tempos de bonança. E sabe quem estará lá para ajudar você e sua família a não passar com um trator por cima da poupança e das receitas mensais? Sim, a margem de erro.

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