Barulho, desconforto, péssimas noites de sono e a conseqüente perda na qualidade de vida. Essa série de fatores nada agradáveis é resultado direto do barulho da buzina dos trens que atravessam regiões populosas da cidade de Santos. O modal ferroviário, uma alternativa fundamental para descongestionar os gargalos logísticos do maior porto da América Latina, tem tirado o sono das pessoas que moram próximas à linha férrea, especialmente no trecho da Avenida Francisco Glicério, entre o canal 1 e a Avenida Conselheiro Nébias.

Incomodado com a situação, Gil Lopez, morador da Rua Paraguaçu, via próxima ao cruzamento da Glicério com a Conselheiro Nébias, resolveu fazer um abaixo assinado protestando contra os transtornos e já recebeu a adesão de centenas de pessoas que moram nas redondezas. “O problema não é tocar a buzina, é o exagero, mesmo durante o dia. O trem já vem buzinando muito antes do cruzamento, sem necessidade alguma”.

Morando no local desde maio de 2000, Lopez destaca que a situação piorou quando a América Latina Logística (ALL) assumiu o controle da Brasil Ferrovias e Novoeste Brasil, arrendatárias da linha férrea em questão, em junho desse ano. “É preciso saber conciliar. Claro que todos queremos que a região gere empregos e se desenvolva. Mas não dá para a população mudar seus horários por causa da buzina do trem. Antes de junho não havia essa buzina; o volume atual é ridículo”, complementa.

Utilizando a Internet como meio de divulgar sua indignação, Lopez disponibilizou um vídeo no YouTube que mostra o barulho causado pela buzina da locomotiva em plena madrugada. “Fiz o vídeo com material caseiro, com uma câmera fotográfica pequena, sem muitos recursos de áudio. Ainda assim dá pra sentir o absurdo do barulho”. Ele é, também, o moderador de uma comunidade denominada “Odeio a buzina do trem Santos” na rede de relacionamentos Orkut. A finalidade é que os participantes exponham suas experiências quanto ao barulho das locomotivas e troquem informações sobre o tema.

Lopez conta que, ao passar o abaixo-assinado, conheceu pessoas que sofrem bastante com os transtornos. Entre elas, um senhor que colocou seu imóvel à venda por não agüentar o atual panorama e um casal preocupado com a saúde do filho, que acorda chorando e assustado todas as noites.

O munícipe entrou em contato com a ALL para discutir a situação. A empresa respondeu que os maquinistas seguem procedimento internacional de segurança por meio da buzina, uma operação que não foge à regra no resto do mundo. A norma 215 do Regulamento Geral de Operação Ferroviária aponta que a buzina deve ser acionada quando o trem se aproximar de túneis, viadutos ou de uma passagem de nível. No caso de cruzamentos, é preciso começar a tocar a buzina a não menos de 200 metros do local. Lopez rebate garantindo que muitas vezes o maquinista já buzina a mais de 500 metros de distância.

O advogado e morador da avenida Washington Luiz, Ricardo Fernandes, afirma que não agüenta mais a situação. Ele argumenta que, além da poluição sonora, os responsáveis pela manutenção da linha férrea não se preocupam com a sujeira e com o mau cheiro espalhados ao longo do percurso. “É um absurdo. Parece uma ‘terra de ninguém’. O ambiente é urbano e abriga grande contingente de pessoas, por isso penso que soluções para esse assunto devem ser debatidas com a população”.

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