Indubitavelmente tornaram-se frágeis as manifestações dos presidentes da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Robson Braga de Andrade, e da Federação das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) , Paulo Skaf, na orientação de direções a serem seguidas para reverter a aflitiva situação do setor produtivo nacional. Ambos estão envolvidos em denúncias de recebimento de proventos de caixa 2, respectivamente, nas operações da Polícia Federal Acrônimo e Lava Jato. Seus conselhos soam como arrulhos oportunos e interesseiros.

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Por isso e como reis nos dois mais importantes níveis do xadrez industrial, eles expõem ao "xeque-mate" qualquer modelagem econômica para o País vencer a crise e se desenvolver, utilizando princípios republicanos. Acusação de caixa 2 circulando por mãos que lideram os propulsores da indústria brasileira passa uma impressão à sociedade de que trabalho e produtividade não são ventos de calda suficientes para impulsionar o desenvolvimento do Brasil. É preciso escorchar o Estado.

Esse tipo de liderança chegou ao limite da tolerância e não consegue mais dissimular, na era digital, que age como sol nas alcovas, com suas quase ilimitadas possibilidades de registrar e informar. A sociedade está consciente que a crise é fruto principalmente da corrupção desmedida e que é preciso renovar o dirigente dos processos desgastados, para inovar na produção do desenvolvimento com aumento da produtividade. Na atual conjuntura, só combatendo sem trégua a corrupção será concebível fazer crescer o capital físico por meio de máquinas que aumentem a produção, bem como incorporar ganhos tecnológicos, para que pessoas comuns e com preparo técnico possam realizar grandes coisas com o sofisticado estoque de capital que lhe é alocado.

A indústria moderna utiliza máquinas controladas por computadores, robótica colaborativa (robotização da linha de produção) e produção inteligente. Para isso, é fundamental desenvolver setores de alta tecnologia ou de infraestrutura com o apoio financeiro do Estado. Portanto, nesse relacionamento os investimentos devem ser sagrados e ter um direcionamento estratégico que dificulte a captura do Estado. Ou seja, garantir uma relação entre público e privado transparente e com vistas a servir ao interesse comum.

Sem sombra de dúvida, projetos sérios que proponham inovação associados ao progresso moral movem o Brasil e promovem o desenvolvimento. Todavia, a busca da competitividade sem justificativa ética há muito tem violado as portas de instituições, da política à produção, fragilizando e empurrando o Brasil para o atoleiro em que se encontra hoje, mergulhado em um mar de lama jamais visto desde a chegada de D. João VI à terra brasilis.

Esse é o principal ajuste de conta necessário com o passado, cujo primeiro passo da caminhada transformadora deve promover, como sempre defendeu o Portogente, a despolitização dos setores técnicos das estatais, em sua maioria hoje utilizados como fontes de propinas, e descentralizar a gestão dessas empresas de Brasília, iniciando pelos portos. O Brasil tem exemplos na tecnologia, como da agricultura e da aviação, para demonstrar que tem boas e suficientes universidades para transformar competitiva e sustentavelmente seu rico potencial econômico. Porém, tem também muitos casos deploráveis como a da construção da ferrovia Norte Sul pela Valec, que sangram os recursos financeiros do País e cerram as portas do futuro possível e desejado.

Os atuais presidentes da CNI e da Fiesp são dissonantes de uma política industrial tecnológica estratégica bem desenhada e definida para um longo horizonte de tempo, como a industria 4.0. Eles precisam ser substituídos. É sobejamente conhecido que em diferentes lugares, técnicas produzem resultados diferentes por conta do processo político de produção. O Brasil tem pressa e não pode mais esperar o futuro.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website