Quarta, 07 Janeiro 2026

Editorial | Coluna Dia a Dia
Portogente

A geografia da logística foca levar produtos onde são necessários no momento

O Porto de Santos fatalmente irá ocupar posição de destaque no cenário nacional em 2026, em discursos do presidente Lula, candidato à reeleição. O protagonismo não decorre apenas do calendário político, mas sobretudo do volume expressivo de investimentos comprometidos e da expectativa concreta de execução de obras estruturantes, há décadas aguardadas. Entre elas, destaca-se a ligação seca entre as duas margens do canal de acesso, anunciada reiteradas vezes ao longo dos últimos cem anos. A obra do túnel submerso já possui contrato assinado, reacendendo a esperança de que, desta vez, o projeto saia do papel.

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Imagem gerada por IA

Somam-se o aprofundamento do canal de acesso, a implantação do STS-10 — um superterminal de contêineres que redefine a escala operacional do porto — e a criação de um amplo e regulador estacionamento de caminhões, essencial para a fluidez logística, bem como na redução de impactos urbanos. A cidade, onde tantas necessidades emergentes não podem ter resposta, está sob ameaça de ser teatro de conflitos. Portanto, é preciso estudar o período presente como um resultado da evolução e para o qual há parâmetros bem definidos que precisam ser atingidos.

Veja mais: STS-10 como risco institucional para o TCU e para o governo - Portogente

No plano internacional o sistema portuário mundial avança rapidamente, incorporando novas tecnologias, automação, modelos operacionais ágeis e eficientes. O Porto de Santos, maior complexo portuário do hemisfério sul, ainda precisa se aproximar dos padrões internacionais, missão para a qual conta com um quadro técnico reconhecidamente competente e capaz de conduzir essa transformação de grande envergadura. Trata-se de aumentar a competitividade nacional.

Entre os principais desafios, conforme já abordado no Portogente, os portos nacionais ainda padecem de fragmentação regulatória e baixa integração entre órgãos reguladores. A histórica relação porto - cidade permanece como um dos principais desafios, de uma região que abriga 12 universidades e concentra conhecimento técnico para formular respostas inovadoras e integradas. Portanto, é necessário abrir novos horizontes com novas perguntas, visto que informação são dados de relevância e propósito.

Outro tema que se arrasta há décadas é a definição sobre as hidrovias da Baixada Santista. Trata-se de um projeto logístico e produtivo moderno, estratégico para o desenvolvimento regional e nacional, mas que segue restrito ao campo do discurso, sem consequências práticas. A desarticulação entre os níveis municipal e estadual apenas reforça a paralisia decisória. Estamos falando, portanto, de soluções modernas, de desenvolvimento nacional e do incremento do comércio marítimo brasileiro. No qual o governo do Estado de São Paulo tem papel primordial e, ao mesmo tempo, age com desinteresse de sequer debater questão tão relevante.

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Diferente de instigar conflitos, o objetivo é colocar luz nos fatos. Alertar e expor com clareza, como vem acontecendo com o posicionamento controverso do Tribunal de Contas da União (TCU) no leilão do STS-10. Uma vez que o processo de tomadas de decisões políticas, na sociedade organizada em redes globais é uma sociedade global. Deste modo, o debate político pode ter um efeito potencialmente significativo. Visto se tratar de um órgão com poder, mas não sobre todos e sobre tudo.

O Portogente é convocado para construir um discurso indispensável à inteligência das coisas e das ações do Porto de Santos em tempo de eleições 2026.

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*O Dia a Dia é a opinião do Portogente

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