Sexta, 20 Fevereiro 2026

Foto: Yan Krukau/Pexels 

O levantamento “Pesquisa Mapa do Assédio no Brasil 2025”, elaborado entre 1º de outubro e 4 de novembro de 2025 pela KPMG, revela que 31% dos brasileiros sofreram algum tipo de assédio nos últimos 12 meses de referência do estudo. A pesquisa contou com 1.365 entrevistados. 

Do total que revelou já ter sofrido assédio, 38% optaram por não denunciar, o que restringe a capacidade de organizações públicas e privadas de identificar riscos, agir de forma preventiva e implementar respostas efetivas. Isso porque, conforme o levantamento, é por meio da denúncia que se consegue interromper ciclos de violência. A subnotificação também compromete investigações, incentiva ciclos de silêncio e dificulta a responsabilização.

No setor público, os registros crescem rapidamente. Dados da Controladoria Geral da União (CGU) mostram aumento de 510% nas denúncias em seis anos, passando de 857 casos em 2019 para 5.225 em 2024. No Judiciário, as ações por assédio sexual subiram 35% entre 2023 e 2024, somando 33 mil ações nos últimos quatro anos.

Os números reforçam o alerta da pesquisa: aumentar a confiança nos canais de denúncia é fundamental. Para isso, a orientação é integrar acessibilidade, anonimato, independência e governança corporativa e compliance que unam investigação e resposta.

Diferentes fatores influenciam a subnotificação

Segundo a pesquisa, a decisão de não denunciar é influenciada por fatores emocionais, estruturais e institucionais, explicados por sentimentos e percepções como medo, insegurança, receio quanto à exposição, temor quanto à retaliação, falta de canal de denúncias corporativo e crença de que a denúncia não será investigada. 

Mesmo para as pessoas que decidiram denunciar, a questão do acolhimento se mostra falha. Os dados apontam que 58% dos entrevistados não se sentiram seguros ao realizar as denúncias. 

O retorno institucional após a denúncia também se mostrou ineficiente, com 57% das pessoas afirmando não terem recebido resposta ou respaldo. A pesquisa destaca, ainda, que a percepção de inefetividade limita o potencial transformador dos canais de denúncia, desmotivando as pessoas a fazê-lo.

Assédio moral ou psicológico é o mais frequente

A caracterização da violência revela que assédio moral ou psicológico é o mais frequente, somando 44% do total de casos. Também são citados assédio por gênero (15%); assédio sexual (14%); retaliação (11%); assédio por idade (8%); assédio religioso (3%); assédio por orientação sexual (2%); assédio por deficiência (1%); e outras formas de assédio (1%).

Os dados da pesquisa mostram que os casos de assédio ocorrem em ambientes múltiplos, com maior prevalência, somando 19%, em áreas abertas, como praças, ruas ou locais descampados. Outros 16% dos casos são registrados em ambientes de trabalho; enquanto 13% ocorrem em ambiente familiar, de amigos ou conhecidos; e 10%, no transporte público. 

Outros locais citados pelos entrevistados que sofreram assédio são: bar ou restaurante, aeroporto ou rodoviária, hospital ou consultório médico, instituições de ensino, espaços turísticos, shows ou eventos, e transporte por aplicativos.

A alta concentração dos casos está na região Sudeste, somando 71% das ocorrências. São Paulo é o estado com maior número de casos, correspondente a 57%, enquanto 8% foram no Rio de Janeiro, e 6% no Distrito Federal. 

Retrato de quem sofre assédio

Os dados demográficos da pesquisa revelam que a maioria dos entrevistados que sofreram assédio é formada por pessoas femininas cisgênero, somando 62%, seguidas por masculinos cisgênero, com 36%. 

Em relação à etnia, a amostra é composta por pessoas brancas (75%), pardas (17%) e pretas (5%).

Canal de denúncias combate irregularidades

A necessidade de canais de denúncia apontada pela pesquisa da KPMG é reforçada pelo estudo sobre fraudes corporativas desenvolvido pela Grant Thornton Brasil, que aponta que 30% das organizações não utilizam nenhuma tecnologia específica para controle de fraudes; 38% adotam sistemas tecnológicos para captação e gestão de denúncias; e 15% realizam monitoramento contínuo de riscos. 

Diante desse cenário, o estudo reforça que “o canal de denúncias continua sendo o principal meio de detecção de irregularidades em empresas”.

O levantamento exemplifica que 59% das fraudes foram descobertas por meio de denúncias anônimas; 37% por meio de denúncias nominais; 38% por meio de auditorias internas; e 30% por meio de controles internos preventivos.

Outro estudo, desenvolvido por meio da parceria entre a Deloitte e o Pacto Global, aponta que o principal fator que pode ajudar no combate à corrupção e outras más condutas nas empresas é o canal de denúncias, apontado por 46% das 113 organizações participantes do levantamento.

O mesmo estudo revela que a maioria das empresas (79%) conta com um canal de denúncias anônimas; e, desse total, 86% usam as informações provenientes do canal para aprimoramento do programa de compliance.

Para estimular os colaboradores a utilizarem o canal, as empresas adotam, principalmente, as seguintes práticas: garantia do anonimato (53%), implantação de canal independente/externo (45%), comunicação sobre transparência e ética (34%), garantia de não retaliação aos públicos interno e externo (29%) e menção sobre o canal de denúncia no código de ética (26%). 



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