É preciso equilibrar os desafios ambientais com as demandas econômicas

Contaminado por uma visão empresarial diminuta de oportunidade e uma incompetência administrativa municipal gigante, o bairro portuário da Alemoa, localizado no Porto de Santos, no litoral paulista, mantém potencializado o risco da tragédia de 2015, quando ocorreu o maior incêndio da história portuária brasileira, durante oito dias. No local estão instaladas 59 empresas, das quais 33 armazéns gerais e 26 transportadoras.

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Sem planejamento e sem controle, a região é uma conurbação de favela, lixão e movimentação de mercadorias perigosas que expõem ao risco a sua área de trabalho e a população da cidade. Por falta de pesquisa, desenvolvimento e inovação, não se tem uma cultura de "porto seguro" para as pessoas e o ambiente. E a raiz desse insucesso é a ausência de fiscalização da Prefeitura Municipal, bem como ao não cumprimento de normas e leis que visam garantir segurança.

Editorial 
Alemoa: um risco ao Porto de Santos

Como foi apontado na perícia do acidente da Ultracargo, a explosão inicial foi causada por falhas que teriam sido sanadas por gestão adequada. O que denota uma fragilidade do sistema, assim como hoje se constata os odores de acrilato próximo ao terminal. Ainda que se careça de resposta objetiva e consensual para esse caso tão embrulhado, existe experiência de portos internacionais que permite identificar padrões e estabelecer bases de comparação.

Da Redação 
Incêndio da Ultracargo: uma tragédia anunciada

Uma ação do Estado precisa, sim, enfrentar tais fragilidades. Impossível pensar em ampliar a movimentação nesse condomínio sem um planejamento que assegure sustentabilidade. Principalmente em relação às rotas seguras, em caso de um sinistro, para atendimento de algum acidentado. O que se assiste hoje resulta de uma ocupação sem um plano de ocupação. E não se pode pensar em construir infraestrutura de cais, sem solução sustentável para o incremento da movimentação no lado de terra.

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A Prefeitura Municipal de Santos não se mostra apta para enfrentar tais problemas que ameaçam sobremaneira a população da cidade e as empresas. A Constituição Federal do Pais, no entanto, institui ao Ministério Público o papel de proteção ao patrimônio público e social e do meio ambiente e de outros interesses coletivos. Ao menos há esperança.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website

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