É com muita tristeza que percebemos que o Brasil está de ponta a cabeça. Nada combina com nada. Nenhuma palavra dita é mantida ou confirmada um segundo depois sequer.

Não há economima que aguente um cenário tão desolador. Muito menos a saúde.

Ao invés de estarmos tratando a doença causada pela contaminação do novo coronavírus, estamos, nos corredores palacianos, vendo a dança das cadeiras. A fogueira das vaidades. O puxão de tapete. Algo inimaginável para um País de um futuro tão promissor como o Brasil.

600 MandettaCrise no governo tira ministro da Saúde, numa cena política das mais desajustadas.
Crédito: Marcello Casal Jr. | Agência Brasi. 

Nesta quinta-feira (16/04), vimos todos a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. Logo após o anúncio da decisão, o assunto não só correu o Brasil, mas o mundo. Viramos anedotário internacional.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), homenageou o trabalho do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, demitido há pouco pelo presidente Jair Bolsonaro. Há semanas havia divergência entre os dois sobre o enfrentamento da epidemia da Covid-19. “Mandetta deixa um legado, uma estrutura para que o governo federal, estados e municípios possam atender da melhor forma possível a sociedade, em especial daqueles que precisam do sistema SUS”, disse.

Nas redes sociais, a avalanche é total sobre o assunto. Na rede social, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse que o Brasil recebe com temor a demissão do ministro. Na visão da senadora, ele atuou com coragem ao "não se submeter às loucuras de um presidente que se mostrou tantas vezes irresponsável”. Ela também pediu que o novo ministro, Nelson Teich, trabalhe sem apego ideológico que signifique risco à vida dos brasileiros.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), Mandetta foi demitido por seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e por pensar diferente de Bolsonaro. Paulo Rocha (PT-PA) afirmou que a demissão de Mandetta deixa várias dúvidas, mas a principal delas é se o Brasil continuará seguindo diretrizes de saúde pública ou o que os economistas recomendam.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse lamentar que a demissão ocorra sem motivação técnica e em meio à maior crise sanitária da história. Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apontou que recebeu a notícia da saída de Mandetta com preocupação. Para o senador, vaidade e falta de diálogo marcaram mais “esse triste episódio do governo”.

Ângelo Coronel (PSD-BA) disse que Mandetta não aceitou a subserviência e saiu. De acordo com o senador, a lei no governo é bem clara: “cale-se ou será demitido”. O senador Weverton (PDT-MA) também lamentou a saída do ministro e ressaltou que não deveria ser no momento de transição.

Segundo Major Olimpio (PSL-SP), a saída de Mandetta se explica porque ele preferiu seguir a ciência e a medicina. Olimpio ainda desejou sorte ao novo ministro e ao povo brasileiro. Na mesma linha, Nelsinho Trad (PSD-MS) classificou a demissão de lamentável. Fabiano Contarato (Rede-ES) disse que a demissão foi um “capricho do capitão”, em referência ao presidente Jair Bolsonaro.

Já os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Veneziano Vital do Rego (PSB-PB) agradeceram o trabalho de Mandetta no Ministério da Saúde. "Agradecemos toda a sua dedicação em prol do povo brasileiro! A sua competência e responsabilidade sempre serão reconhecidas pelos que têm bom senso", registrou Veneziano.

Colisão
O agora ex-ministro Luiz Henrique Mandetta entrou em rota de colisão com o chefe do Executivo depois de divergências sobre medidas de isolamento para conter o avanço do coronavírus. Por várias vezes, Bolsonaro se manifestou contrário às medidas de isolamento, preocupado com as repercussões na economia. Ele próprio contrariou as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde, ao saudar centenas de manifestantes na Praça dos Três Poderes, no dia 15 de março, e ao fazer passeios por Brasília, no domingo de março (29) e na quinta-feira (9).

Luiz Henrique Mandetta é médico ortopedista e fez sua carreira política em Campo Grande (MS), onde nasceu, em 1964. Na capital do Mato Grosso do Sul, assumiu a Secretaria de Saúde em 2005, no início da gestão municipal do hoje senador Nelsinho Trad, que também é seu primo. Foi deputado federal entre 2010 e 2018, quando anunciou sua aposentadoria da política. Posteriormente, mudou de ideia e aceitou o convite de Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde.

Mandetta também foi ao Twitter e agradeceu "a oportunidade que me foi dada, de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros e de e planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar”.

"Agradeço a toda a equipe que esteve comigo no Ministério da Saúde e desejo êxito ao meu sucessor no cargo de ministro. Rogo a Deus e a Nossa Senhora Aparecida que abençoem muito o nosso país", registrou Mandetta.

* Com informações da Agência Senado e da Agência Câmara de Notícias

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website

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