Nas últimas décadas, as doenças zoonóticas – aquelas transferidas de animais para humanos – ganharam atenção internacional.

Ebola, gripe aviária, vírus da gripe H1N1 (ou gripe suína), síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), febre de Rift Valley, síndrome respiratória aguda súbita (SARS), vírus do Nilo Ocidental, vírus zika – e agora o novo coronavírus COVID-19 – todas causaram ou ameaçaram causar grandes pandemias, com milhares de mortes e bilhões em perdas econômicas.

Onu coronavírusÀ medida que o mundo responde e se recupera da atual pandemia. Foto: Unplash.

Pesquisadores ainda não identificaram o ponto exato em que o vírus SARS-CoV-2 foi transferido de animais para humanos e se apresentou na forma de COVID-19. No entanto, uma coisa é clara: o novo coronavírus não será a última pandemia.

Em 2016, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sinalizou preocupação com o aumento mundial de epidemias zoonóticas. Especificamente, apontou que 60% de todas as doenças infecciosas emergentes nos seres humanos são zoonóticas e estão intimamente ligadas à saúde dos ecossistemas.

Atividade humana e ecossistemas
De acordo com o relatório Fronteiras, do PNUMA, as zoonoses são oportunistas e prosperam onde há mudanças no ambiente, mudanças nos hospedeiros animais ou humanos ou mudanças no próprio patógeno.

No século passado, uma combinação de crescimento populacional e redução de ecossistemas e de biodiversidade culminou em oportunidades sem precedentes para a transmissão de patógenos entre animais e pessoas. Em média, uma nova doença infecciosa surge em humanos a cada quatro meses, diz o relatório.

Mudanças no ambiente
As atividades humanas resultaram em grandes mudanças no meio ambiente. Ao alterar o uso da terra – para assentamento, agricultura, extração de madeira, indústrias extrativas e sua infraestrutura associada – os seres humanos se fragmentam e invadem habitats de animais.

Ao destruir as zonas naturais de amortecimento que normalmente separariam os humanos dos animais, criam oportunidades para que os patógenos se espalhem dos animais selvagens para as pessoas.

As mudanças climáticas – principalmente o resultado das emissões de gases de efeito estufa – exacerbam a situação.

Mudanças de temperatura, umidade e sazonalidade afetam diretamente a sobrevivência de micróbios no ambiente; e as evidências sugerem que as epidemias de doenças se tornarão mais frequentes à medida que o clima continuar mudando.

A rápida mudança do clima também impede pessoas com menos recursos de responderem rapidamente, deixando-as mais vulneráveis e ampliando seus riscos de danos pela propagação de doenças zoonóticas.

* Informação da ONU Brasil

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website