A correta afirmação do major-brigadeiro Luiz Fernando de Aguiar, presidente da Comissão de Coordenação de Implantação de Sistemas Espaciais, para quem “o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) é uma mina de ouro”, convém promover ações que evitem postergar ainda mais o Brasil buscar a recuperação do seu programa espacial. Criado na década de 40, em 2003 sofreu duras perdas, quando explodiu na rampa de lançamento o Veículo Lançador de Satélite (VLS), e morreram 21 pessoas, técnicos, militares e engenheiros.

Alcântara ABFoto: Agência Brasil

Esse polêmico projeto de arrrendamento do CLA com base em um projetado faturamento de R$ 140 milhões por ano, um pouco mais de R$ 10 milhões por mês, parece incompatível com o plano de negócio necessário para o Brasil ter competitividade na área espacial. Nesse sentido, ao se considerar o mercado, o produto e estratégia geopolítica, com prudência para evitar que o desejo de crescer exerça efeito perverso sobre a estratégia. Essa reflexão necessária talvez mostre ser conveniente iniciar a análise de mercado pelo Mercosul. Posto que a pesquisa na engenharia espacial pode atender a muitas e urgentes demandas regionais.

O sucesso do projeto da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) confirma que é possível o Brasil competir globalmente no mercado de tecnologia de ponta. Não se pode duvidar mais que a tecnologia espacial vai expressar a competitividade deste milênio. Para participar dessa corrida com posição exclusiva e valiosa, o CLA tem uma situação diferente e vantajosa daquelas dos países rivais. Tempo e combustível são componentes sensíveis nesse negócio, assim como a soberania nacional nas estratégias do programa aeroespacial. Como condição operacional, por sua localização privilegiada na linha do Equador, é mais ágil lançar foguetes de Alcântara.

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Quando se fala de pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia de produção aeroespacial a abordagem abrange múltiplas atividades, da defesa e segurança à agricultura e medicina, bem como tantas outras onde se aplique tecnologia de ponta. O controle e segurança do Planeta Terra, por exemplo as áreas de desmatamento e tempestade, vêm sendo realizados, cada vez mais, por satélites.

A tecnologia espacial tornou realidade o GPS e o famoso aplicativo Waze. O domínio de toda essa tecnologia, do projeto, fabricação, lançamento e navegação dos foguetes e satélites, é estratégico. Ironicamente, a vantagem do aluguel da CLA pode parecer um bom negócio. Na realidade que se chega por análise ampla, a verdade é exatamente o contrário.

O imperativo de se resguardar a soberania do País exclui a possibilidade de se tratar e definir uma solução no governo Temer sobre o uso do CLA por paises estrangeiros. Para dizer o mínimo, falta-lhe representatividade e confiabilidade. Promover uma democratização institucional para debater o programa espacial brasileiro, garante a necessária participação dos setores ditetamente interessados.

O Centro de Lançamento de Alcântara é nosso.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website

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