A proposta do secretário de Portos Luiz Otávio Campos, de regionalizar a administração do Porto de Santos (SP), alvoroçou a abertura do seminário Santos Export, nesta segunda-feira (10/09). Sem poupar otimismo, declarou que o processo de descentralização da gestão do mais importante porto do Hemisfério Sul pode ser realizado em até 120 dias. É preciso ver para crer.

Porto Santos regionalizaçãoPorto de Santos: entre uma proposta séria de regionalização e a bravata.

Talvez nem o próprio titular da Secretaria Especial de Portos tem certeza da viabilidade do seu discurso. Do modo em que foi feito o anúncio parece que Luiz Otávio quis criar um factóide para marcar presença relevante no evento. Ainda que ele afirme que não será necessária qualquer alteração legislativa para essa transferência de administração para o Estado de São Paulo, essa visão simplista pode ser consequência do seu parco conhecimento sobre o tema. Por isso, mais do que esperança, provocou incertezas.

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Diferentemente do que a autoridade colocou, essa proposta envolve muitos, diferentes e influentes interesses. Há até dívidas trabalhistas a serem acertadas com a União. É claro que ela não se materializa antes de tomar posse o novo presidente do Brasil. E isso Luiz Otávio sabe bem. Há mais de 30 anos reivindicada, foi no governo de FHC que a Regionalização do Porto de Santos mais se aproximou da realidade. Todavia, foi abortada pelas tratativas na transição para o governo Lula, recém-eleito.

É inexorável que ela aconteça um dia.

Para muitos atores expressivos da logística do complexo portuário santista, a transferência para o governo estadual paulista se traduz em uma troca de seis por meia dúzia, ou seja, continua no mesmo. Hoje, a atual administração desse importante porto está relegada ao absurdo histórico, com uma improdutividade incompatível com a sua região de influência e na contramão da necessidade de o País gerar emprego produtivo. Diante de um processo eleitoral próximo a sua definição, o menos apropriado à comunidade portuária é ouvir o discurso de uma autoridade para marcar apenas presença.

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Dos presidenciáveis, até agora só Geraldo Alckmin tem há muito se manifestado favorável a essa transferência de gestão. Se fosse o caso de acontecer agora, o presidente Michel Temer teria boas razões para ele próprio anunciar esse propósito, que ele prometera no ano passado e parece ter deixado de lado. Nesse momento em que o Porto de Santos deve tantas explicações à sociedade, o secretário Luiz Otávio Campos mostrou, por seu exemplo, quanto urgente o Brasil precisa mudar.

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