A movimentação de carga no Porto de Santos cresceu, só no primeiro semestre, 7,82%. Entre os principais portos do país, o de Santos comemora os números registrando um total de 27,1% da corrente comercial. As exportações seguem na frente, com a participação de mais de 70% neste aumento só nos primeiros seis meses. Diante desses resultados, a projeção para 2005 aponta um total de quase 74 milhões de toneladas de cargas movimentadas. E o líder do ranking dessa movimentação são os contêineres. Na reportagem desta semana, o PortoGente mostra como é realizada a operação de contêineres nos terminais do Porto de Santos.

 

Um das operadoras portuárias responsável pela grande movimentação de contêineres no Porto de Santos é a Libra Terminais. Com uma área de 240 mil m2, a Libra opera com um sistema sofisticado de alta tecnologia capaz de movimentar 45 mil contêineres/mês. O investimento de cerca de um milhão de dólares trouxe segurança e agilidade nas operações. Implantado em 2001, esse sistema belga gerencia toda a movimentação de contêineres dentro do terminal. Na sala de comando, equipada com vinte câmeras espalhadas pelo terminal, os operadores têm condições de programar e controlar toda a operação, desde a chegada do caminhão ao pátio até o embarque do contêiner no navio.

 

Como funciona

 

Em se tratando de exportações, a operação de contêineres funciona da seguinte maneira. O armador fornece as informações prévias dos contêineres que virão para o terminal de acordo com os pedidos dos clientes. É feito um pré cadastro e esses dados geram uma reserva prévia no sistema. Uma semana antes do navio chegar é aberto um gate específico destinado para aquela embarcação. 

 

Os caminhões carregados de contêineres ao chegarem ao terminal se apresentam no gate de acordo com o número da reserva. Conferida documentação do caminhão e a sua carga, o veículo está habilitado para iniciar a sua operação.

 

Com a informação prévia da reserva, o sistema conforme a chegada, o navio de embarque, o porto de destino, o peso, entre outras informações, escolhe automaticamente o melhor local no pátio para armazenar o contêiner.

 

O motorista do caminhão, munido de um formulário com o endereço em que deve descarregar a carga, se dirige até o local indicado do pátio. Simultaneamente, o sistema via rádio frequência envia uma informação para a empilhadeira do local onde aquele determinado caminhão vai depositar o contêiner.

 

O operador da empilhadeira diante das informações que estão no seu computador de bordo se posiciona para aguardar a chegada do caminhão com a carga.

 

Entre 12 e 24 horas antes do navio chegar, período crítico conhecido como dead line, os exportadores devem entregar tanto os contêineres quanto a documentação da alfândega liberadas para a exportação. Depois disso os armadores são informados de todos os contêineres depositados no terminal destinados para aquele navio e quais deles estão com a documentação liberatória para o embarque.

 

O contêiner é retirado do caminhão e colocado no pátio na posição pré-determinada pelo sistema de acordo com o plano de carga fornecido pelo armador. Neste plano, enviado com seis horas de antecedência à atracação do navio, constam informações como, por exemplo, a posição desejada pelo armador para que os contêineres sejam empilhados. Isso varia de acordo com as paradas nos portos de destino e limite de peso na embarcação.

 

Essas informações são inseridas no sistema que faz a checagem das condições as quais o armador indicou e das condições do pátio gerando, assim, uma lista de embarque. Dessa maneira, o sistema define a sequência em que os contêineres devem ser embarcados evitando qualquer tipo de remoção.

 

Feito isso, o navio encosta e, automaticamente, via rádio frequência a informação é enviada para as empilhadeiras retirarem o contêiner "A", mandarem para a carreta "B" e , em seguida, ser embarcado no navio através de um guindaste ou portêiner também designado pelo sistema.

 

A média mensal de embarque do primeiro ao último contêiner dentro do navio é de 40 movimentos por hora / navio, ou seja, um guindaste leva cerca de 1,5 minutos para realizar um movimento.

 

A operação para a importação é mais simples. O terminal recebe do armador um plano de descarga contendo as informações de quais contêineres devem ser descarregados. A decisão da sequência fica por conta da posição dos guindastes a bordo. Na importação os contêineres são descarregados e colocados no pátio. Na sequência são entregues aos recintos.

 

O diretor de produção da Libra Terminais, o engenheiro José Eduardo Bechara (na foto, ao centro), acompanhou de perto a implantação do sistema no terminal e garante a eficiência do mesmo. "Hoje fazemos pequenos up grades ao longo do ano, e quando há qualquer tipo de falha operacional no programa, a assistência é feita em tempo real por técnicos belgas, on line", explica Bechara.

 

Ele ainda conta que a Libra está investindo em mais uma área, dessa vez em Cubatão com 160 mil m2. "A partir de outubro, começamos a operar aquele terminal. O objetivo é movimentar mais 15 mil contêineres por mês e, também, desafogar o congestionamento de caminhões", revela.

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