Nesta semana do trabalhador, cujo Dia Internacional do Trabalho é celebrado, em 1º de Maio, vamos falar sobre o visitador de navio, um profissional essencial nos portos. Ele é o intermediário entre o comandante da embarcação e as autoridades. A primeira pessoa a entrar no navio.

O visitador de bordo é uma atividade do setor de operações de armadoras e agências de navegação, desempenhada pelo assistente de operações. Um agente que faz o relatório de todas as condições da embarcação, tripulação e carga, além de entregar às autoridades competentes (Polícia Federal, Alfândega, Capitania dos Portos e Agência Nacional de Vigilância Sanitária-Anvisa) todos os documentos necessários para a liberação da atracação do navio, no cais. Após a liberação é expedido um documento chamado Clearance, atestando que não há problemas, dentro das exigências dos órgãos fiscalizadores.

Mas, o trabalho do visitador continua após a liberação do navio. Ele literalmente permanece à disposição do comandante, desde a chegada até a partida da embarcação, do porto. Tudo o que o comandante precisar ou mesmo a tripulação, como passeio na cidade, medicamentos, suprimentos, conserto de carga, etc é comunicado ao visitador que encaminha as providências aos setores competentes. Por isso, é imprescindível que esse profissional fale fluentemente o idioma inglês.

O visitador acompanha o navio antes mesmo de sua atracação, providenciando documentos e colhendo informações sobre a rota para ter uma estimativa de chegada. Todas as informações sobre o navio, atracado ou em alto mar são registradas num sistema digital, cujo acesso pode ser feito de todos os portos, empresas e órgãos afins do mundo. O pedido de atracação do navio também é feito pelo visitador, nas reuniões que acontecem todos os dias na sede da Autoridade Portuária. 

Pedro (nome fictício), 29 anos, atua como visitador de navio há dois anos. Para ele, esse ofício é, ao mesmo tempo, fascinante e sacrificante. Por um lado, gosta do que faz por poder atuar no escritório e a bordo e conhecer pessoas do mundo todo, do mais humilde ao mais culto. No entanto, ressalva que o excesso de horas trabalhadas e de serviço é sobre humano. Pedro já trabalhou dois meses seguidos sem folga, assim como ‘virou’ dias sem dormir. 

Pedro salientou que essa atividade afeta diretamente a vida pessoal. “É muito trabalho mesmo, a gente praticamente não tem vida social. Influencia até o casamento. Tem esposas que não compreendem isso. Não adianta você ‘ganhar’ bem e ter esse ritmo de vida”, desabafou. Frisa que não sobra tempo nem para fazer cursos que o qualificariam ainda mais para o seu trabalho e confessa que não pretende seguir esse caminho por muito tempo.

Pedro já foi obrigado a se afastar do serviço depois de uma crise de estresse. “Numa madrugada, eu estava fechando o sistema e, de repente, comecei a me sentir mal e apaguei. Todos os visitadores gostariam de ter um pouquinho mais de fim-de-semana”.

Um visitador de navio tem remuneração entre R$ 1.500,00 e R$ 2500,00. Pedro afirma que essa categoria deveria ser regulamentada, pois esse profissional é essencial à atividade portuária, embora acredite que não há necessidade de um curso para formar visitadores de bordo. 

Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados Terrestres em Transporte Aquaviário e Operador Portuário do Estado de São Paulo (Settaport), Francisco José Nogueira da Silva, todas as funções específicas, dentro da atividade portuária, necessitam de regulamentação, não só o visitador de navio, como também os trabalhadores que atuam com importação e exportação, programação, atracação, retaguarda, entre outros.

Para ele, todas as categorias juntas são “a engrenagem que movimenta o porto”, portanto, fundamentais ao bom desempenho da atividade portuária. “O porto de Santos começa na ‘Avenida Paulista’, onde se concentram grandes escritórios de Navegação”.

O Settaport representa os interesses das categorias de trabalhadores contratados de agências de navegação e operadoras portuárias. Francisco disse que o sindicato está lutando para regulamentar essas categorias.

Fórum:

Não existe curso para formar visitadores de navio. Considerando o expediente desse profissional, você acha que deveria ser aberto um curso? Por que?

Mande sua resposta para [email protected]. Juntamente com a mensagem envie seu nome completo, idade e profissão.

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