Marcelo Tertuliano novo* Mestre em Administração de Empresas, com 25 anos de experiência na função financeira, dos quais, 17 anos em posições de liderança. Atualmente está à frente da área financeira de uma grande mineradora brasileira atuando em Moçambique.

Venho refletindo sobre tomada de decisões ponderada, as mudanças, a simplificação de processos – e, principalmente, sobre como tudo isso se relaciona e interfere no presente e no futuro das companhias.

A reflexão é o caminho mais assertivo para uma boa tomada de decisões equilibradas, que podem garantir a sustentabilidade da companhia no longo prazo. Quando uma empresa toma decisões abruptas e irrefletidas, pode estar colocando em risco sua capacidade de estabilidade, previsibilidade e geração futura de resultados e ganhos importantes e sustentáveis para a empresa, algo que os acionistas valorizam. Algumas empresas que adotaram o home office e estão gostando do resultado – a produtividade dos colaboradores é visivelmente maior nos casos relatados – já anunciaram que continuarão neste sistema por tempo indeterminado. Recentemente, porém, especialistas em recursos humanos alertaram para o fato de que, após o fim da quarentena, poderá haver uma tendência de desvio de foco dos trabalhadores, que não dedicarão tantas horas ao trabalho, já que poderão sair de casa e terão outras atividades a cumprir, como levar os filhos em suas atividades rotineiras (como atividades esportivas e cursos extracurriculares); praticar esportes em academias ou ao livre; frequentar cabeleireiros; visitar parentes; fazer cursos presenciais, entre outras coisas.

Esse exemplo é apenas ilustrativo, mas pode ser significativo: as companhias que decidiram manter o home office pensaram no reflexo desta decisão no futuro ou apenas avaliaram uma oportunidade imediata de redução de custo, gerada pela situação atual?

Da mesma forma, mudar toda a estrutura de comando de uma área repentinamente de forma abrupta, por exemplo, ou simplificar processos sem estudar a fundo a real necessidade de eles serem detalhados pode gerar ganhos hoje – mas, prejudicar o desenvolvimento dos processos amanhã.

Acredito que as otimizações devam acontecer de forma gradual, em camadas e com facilitadores que gerem a homogeneização, visando à preparação de dados, a análise de processos e a produtividade de equipes e sistemas. As decisões amadurecem com o próprio conhecimento que a empresa gera a partir dos seus processos, sistemas e pessoas, porque o perigo de simplificar processos detalhados é gerar resultados a curto prazo, mas não pensar que as pessoas mudam (de emprego ou se aposentam) e os novos profissionais que não conhecem o histórico da companhia não conseguirão, no futuro, resolver o que a simplificação deixou de contemplar.

Como sempre colhemos amanhã o que plantamos hoje, não podemos cometer o erro de responsabilizar os gestores futuros pelas decisões tomadas agora, que geram boas notícias hoje, mas que podem custar um bom dinheiro para que se volte ao modelo anterior. Simplificar processos é importante, em muitas situações, mas desde que as novas diretrizes contemplem todas as necessidades da companhia e tudo seja implantado gradativamente, de forma refletida, equilibrada e sustentável. Somente assim, lá na frente, a colheita será satisfatória. Eu sei que é uma questão retórica e de difícil generalização, por isso comecei o artigo compartilhando que essa é uma reflexão... Agora, cabe a você fazer a sua.

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*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

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