Quinta, 18 Abril 2024

Murilo 01072015 boneco* Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp)

A indústria brasileira, absolutamente essencial e estratégica ao desenvolvimento, enfrenta séria crise e encolhimento precoce há alguns anos. Um ensaio de mínima retomada foi registrado em 2017 (2,5%) e 2018 (1%), mas 2019 fechou novamente em queda de 1,1%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, bastante distante de recuperar as perdas registradas a partir do início da crise, em 2014, que somam queda na produção de 14,8%.

Quando começou a observar esse declínio, a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) lançou a edição “Novos desafios” do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que apontava a urgência em se avançar na industrialização do País, com inovação e ganhos de produtividade. Os caminhos indicados incluíam a necessidade de medidas corretas na área econômica e política de Estado voltada ao setor, que, por exemplo, promovesse o adensamento de cadeias produtivas promissoras.

Mergulhado em constante crise política e institucional, o País lamentavelmente seguiu caminho diverso e não foi capaz de superar as dificuldades econômicas. Se a perspectiva de recuperação não era animadora no início deste ano, com a paralisação gerada pela pandemia do novo coronavírus, a situação tende a se complicar de maneira drástica. Portanto, é ainda mais imperativo que busquemos saídas corretas, corajosas e pertinentes à realidade que vivemos.

Uma alternativa colocada é a reversão industrial, que pode, a um só tempo, colocar em atividade parques fabris ociosos e colaborar decisivamente com o suprimento de bens essenciais neste momento. Nota técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), publicada neste mês, aborda a questão: “Esse processo consiste na rápida transformação de plantas industriais dotadas de relativa flexibilidade produtiva e que estejam operando com baixa utilização da capacidade instalada, transformando-as em unidades produtivas adaptadas emergencialmente para a produção de bens ou equipamentos de primeira necessidade temporariamente escassos. Assim, e considerando o momento atual, parte da indústria brasileira pode e deve ser rapidamente adaptada, visando produzir produtos, insumos, componentes, materiais de reposição, bens consumíveis e equipamentos médico-hospitalares destinados a salvar milhares de vidas.”

A iniciativa, conforme o estudo, pode não só suprir as demandas hoje vitais, mas também “contribuir para a manutenção de empregos e para mitigar a queda abrupta da atividade econômica, mantendo a demanda efetiva, tanto no presente quanto em futuro próximo.”

Obviamente, como também enfatiza a publicação, para que uma empreitada como essa possa ser levada a cabo de forma bem-sucedida, é indispensável o papel do Estado e do conjunto da sociedade: “O combate à crise exige esforço de ‘guerra’ e não pode prescindir de planejamento, coordenação e articulação dos atores governamentais nas esferas da União, estados e municípios, assim como da comunidade científica, do setor produtivo e das entidades sindicais representativas dos trabalhadores.”

Eis um rumo assertivo a ser tomado pela indústria nacional, hoje em situação de grande dificuldade. Tal esforço viria também em direção ao valoroso empenho da engenharia no desenvolvimento de equipamentos médicos, como respiradores, de baixo custo, mas que carecem de produção em escala para chegarem efetivamente à população.

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