Georgia Roncon
* Cofundadora da AGE GROUP, que atua nos segmentos de turismo, investimentos, educação em Inovação e Tecnologia com o ECQ Lifelong Learning, empresa que opera no Brasil e nos Estados Unidos.

Quando seres vivos se relacionam entre si e com o meio ambiente em que estão, damos a esse relacionamento o nome de ecossistema. Quando empresas, universidades e governos se relacionam em um ambiente de colaboração e desenvolvimento tecnológico, são formados os ecossistemas de inovação. O termo pode parecer novo, mas o conceito já é conhecido há um bom tempo e essa ideologia de colaboração traz diversos benefícios para o mundo corporativo.

Em 1993, James F. Moore, um acadêmico que estuda a evolução de sistemas econômicos e sociais, usou o termo “ecossistema de negócios” para descrever redes de organizações que formam um sistema em que a colaboração entre as partes ajuda no desenvolvimento do negócio. Segundo Moore, esse ecossistema é uma forma de organização distinta e paralela a empresas e mercados.

Como em um ecossistema biológico, há sempre um ser forte que depende de um fraco, mas ambos precisam cooperar para vencer o ambiente em que estão. Com o tempo, as empresas mudaram, e muitos negócios passaram a produzir muito mais do que apenas bens e produtos — e o ecossistema evoluiu junto.

Assim surgiram os ecossistemas de inovação. O melhor exemplo deles é o Vale do Silício, que fica localizado na Baía de São Francisco, no estado da Califórnia, EUA. Muitas empresas de tecnologia se estabeleceram na região, como Apple e Google.

Nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, as organizações americanas começaram a receber grande demanda de produção tecnológica e durante esse período, a Universidade de Stanford recebeu incentivo do governo para pesquisas e então fomentou o desenvolvimento de uma área de Engenharia. Depois de diversos outros incentivos, essa universidade começou a crescer e graduar profissionais que abriram suas próprias empresas, colaborando com a instituição e absorvendo seus alunos.

Os anos se passaram, mas o ecossistema de colaboração se mantém até hoje. As universidades recebem incentivos do governo e, por sua vez, colaboram aprimorando seus alunos, que futuramente atuarão nas empresas da região. Com isso, o Vale do Silício cresce e traz novas tecnologias e inovações para o mundo.

No Brasil, também há ecossistemas semelhantes. Campinas, em São Paulo, tem uma cultura empreendedora muito forte e voltada para a inovação. Muitas empresas de tecnologia e startups ficam na região, e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) faz grandes trocas com essas organizações, atraindo mais pesquisas para o local, que se tornou um grande polo.

Além de Campinas, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, São Pedro Valley, há também outros ecossistemas de inovação no Brasil, com incentivos acadêmicos e governamentais, gerando benefícios não só aos colaboradores, mas para a economia de toda a cidade.

Um dos principais benefícios desse conceito é a troca de experiências entre setores e empresas gerando mais visibilidade para talentos, além de atrair o interesse de estudantes que desejam amadurecer em um ambiente onde possam arriscar e inovar para aprender.

Nem todas as empresas estão situadas em polos tecnológicos, mas isso não é uma barreira que as impede de se beneficiar desse ecossistema. Existe um modelo de produção e criação coletivas chamado crowdsourcing. Nessa metodologia, empresas se unem para buscar soluções para um problema, fazendo a troca de ideias, recursos e talentos em diversos negócios. Mas o ideal mesmo é sair da zona de conforto, participando de experiências de imersão e outros eventos em que profissionais, que já estão em ecossistemas de inovação, frequentam.

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