Marcos Bicudo
* Presidente da Vedacit

Um dos maiores desafios do mercado de construção civil no Brasil é encarar o ritmo da retomada de crescimento, necessário para alcançar os patamares de desenvolvimento esperados dado que possuímos um déficit habitacional expressivo de aproximadamente 7,7 MM de habitações além de possuirmos um “estoque“ de 16 MM de habitações consideradas insalubres entre o total de 80 MM de habitações no Brasil, segundo informações da Fundação João Pinheiro. Portanto, é imperativo atentar para as “dores” que envolvem o setor e buscar inserir a sustentabilidade nas práticas das empresas, a adesão à tecnologia e empreender com iniciativas inovadoras.

Em um cenário como este, que requer movimentos assertivos, o papel da alta gestão é se fazer presente. E muito mais do que em tempos atrás, há cerca de uma década, nos quais uma sensação de “estabilidade” predominou no mercado. Os dias atuais requerem movimento, visão humanizada e observação 360º sobre as estratégias para que sejam desenhadas e implantadas de maneira eficaz.

É preciso ser empático, compreender o cenário da organização para então tomar decisões que interfiram em toda a trajetória do negócio. Trata-se de uma oportunidade enriquecedora atuar como CEO em uma empresa nacional, com possibilidades vigorosas de crescimento. E muitas empresas brasileiras, ou “aquelas promissoras” já entenderam a necessidade de reinventar e ultrapassar conceitos e propósitos estagnados.

Não é uma questão de “inventar a roda”, pelo contrário, a inovação está na observação dos novos caminhos possíveis dentro do que já está consolidado. É a tal estratégia do “oceano azul”, de W. Chan Kim Reneé, que nos trás a provocação de como criar e transformar organizações tradicionais em negócios disruptivos, que se adequam à era da transformação digital e exerce um olhar sobre o potencial que ainda pode e merece ser explorado em uma organização.

E posso afirmar, enfaticamente, o quanto as empresas nacionais são grandes “portas” para a aplicação da visão de Reneé. Hoje sou o primeiro CEO que não faz parte da família, de uma empresa familiar, 100% nacional, e líder de mercado: a Vedacit, que atua há mais de 83 anos no país.

Antes de chegar aqui, fui expatriado durante mais de 12 anos, passei pelo Canadá, Estados Unidos, Portugal e Chile. Sempre seguindo minha trajetória profissional em multinacionais, que são muito mais suscetíveis a fatores que fogem do alcance da alta gestão.

Minha experiência no mercado internacional me mostra o quanto a gestão de uma empresa nacional pode ser menos complexa, mais ágil e flexível. Claro que para esse cenário prevalecer, essa empresa precisa contar com um sistema de governança bem estabelecido, que propõe a abertura de diálogos objetivos e transparentes com o Conselho ou os investidores.

As lições que compartilho, e que são as respostas para o sucesso de minha gestão na Vedacit, já que hoje a empresa passa por um de seus cenários mais favoráveis economicamente e socialmente, com recorde histórico de faturamento alcançado neste ano, são baseadas no relacionamento estabelecido no processo de governança.

É preciso ir além da rotina da governança, interpretar a “dor” do acionista, ou do investidor da organização, porque dessa forma se estabelece uma relação de confiança e reciprocidade na gestão.

Também é fundamental o respeito aos princípios, valores e, especialmente, agregar esse respeito aos principais stakeholders, que são os colaboradores, parceiros, fornecedores e toda a equipe que constrói dia a dia o negócio.

Acrescento também a importância de um planejamento assertivo e que “conversa” com as necessidades da empresa, que dá visibilidade ao futuro. E, por último, chamo a atenção para o exercício da paciência e dedicação, lembrando sempre que “a agenda do gestor é criação de valor e não uma agenda de opiniões”.

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*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

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