Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho da höft consultoria

Os debates, provocações e pesquisas, sobre os impactos que os avanços tecnológicos, e, de forma mais intensa, a Inteligência Artificial, deverão provocar em toda nossa sociedade, tem se ampliado desde o início do novo século.

Uma das conclusões mais comuns tem sido a de que “as profissões que envolvem tarefas repetitivas, em ambientes previsíveis, caminham para a extinção. As que exigem interação, prometem ser mais longevas”.

Segundo pesquisa intitulada The future of employment, de Frey e Osborne, estão entre as profissões de alto risco: operadores de telemarketing, caixas de banco, analistas de crédito, metalúrgicos, motoristas profissionais, vendedores e contadores. As que apresentam um risco menor são: terapeutas ocupacionais, médicos e cirurgiões, professores do ensino fundamental, analistas de sistema, padres, engenheiros e advogados.

Considerando os novos desafios da longevidade, e redução da natalidade, surgem algumas profissões com perspectiva de crescimento, tais como cuidadores de idosos, guias turísticos e entretenimento, extensivo também para a população infantil.

Ao considerarmos todo o universo de pessoas que estão empenhadas no planejamento de suas carreiras, vale destacar alguns pontos que podem contribuir como provocações a serem levadas em conta.

A saber:

— O avanço tecnológico tem ocorrido numa velocidade muito maior do que os sistemas e processos educacionais. Tanto no nível inicial, médio ou superior;

— A ideia de “um emprego para toda a vida” já é considerada obsoleta desde meados do século XX;

— A evidente e já reconhecida tendência de globalização dos mercados tem sido acompanhada, simultaneamente, por associações, incorporações, fusões, monopólios, e até mesmo o desaparecimento de reconhecidas corporações;

— A legislação trabalhista tem andado, na maioria dos países, a reboque das mudanças no mundo do trabalho;

— O impacto das mudanças tecnológicas não tem afetado apenas os empregos, mas também o nível de renda;

— Vem diminuindo o número de empresas que tem assumido, como seu, o compromisso de ações e políticas relativas ao desenvolvimento e atualização do seu quadro de pessoal. Já não entendem esta atuação como parte da sua responsabilidade;

— Está cada dia mais claro que o treinamento, atualização e desenvolvimento é uma responsabilidade de cada indivíduo. Portanto, a tendência é de um processo de autodesenvolvimento permanente;

— Questões como ética, confidencialidade, trato de informações, acesso aos meios eletrônicos e privacidade tendem a se tornar mais complexos e presentes do dia-a-dia das pessoas;

— Buscar um sentido, motivação e valores no universo corporativo vai ser a cada dia mais desafiador com a velocidade das mudanças;

— Estabelecer limites entre a vida pessoal e profissional vai exigir muita atenção de todos, especialmente com os avanços tecnológicos disponíveis, invadindo, cada dia mais, a privacidade das pessoas;

— Opções diferentes na forma do vínculo empregatício, trabalho autônomo e atividades em casa devem ser ampliadas como alternativas. E caberá a cada um avaliar sua melhor opção;

— Os sistemas de remuneração – salário/ participações/ bônus e benefícios - devem sofrer mudanças que vão exigir análises mais profundas;

— Questões referentes aos sistemas previdenciários, aposentadoria, manutenção da renda, reserva financeira estarão cada vez mais associadas a qualidade de vida. Tanto no presente como no futuro.

Enfim, estas são apenas algumas provocações para que cada um considere no seu planejamento de carreira. Uma responsabilidade indelegável.

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*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

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