Como diz o Coelho Branco em Aventuras de Alice no País das Maravilhas, quando não se sabe onde vai, qualquer caminho serve. Foi essa a impressão que passou a entrevista do presidente Casemiro Tércio Carvalho, da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), ao jornal Folha de São Paulo, deste domingo (21/04). Os resultados anunciados e analisados ante o desempenho do mesmo diretor à frente do Porto de São Sebastião, se comparado com o Porto de Santos, são insuficientes para pensar o futuro do maior porto do hemisfério Sul e resolver as preocupações da comunidade portuária.

Porto Santos coelho

Sob a ótica da produtividade, as relações comunitárias e corporativas se constituem em excelentes oportunidades na busca dos resultados desejados. A percepção de fragilidades pode promover insegurança. É o caso, conforme Portogente divulgou, de Casemiro sem ter tomado posse e promovia reuniões de forma ilegal com quadros de funcionários, acessando informações sigilosas da empresa. Ainda nesse campo, merece nota também o que postou, em seu perfil na rede social Facebook, o histórico líder sindical portuário Benedito Furtado, hoje combativo vereador à Câmara Municipal de Santos: “Hoje, me deparei com a prepotência, o narcisismo, a arrogância e a ironia em pessoa. Sim, conheci o novo presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, Codesp [...].”

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250 Coelho AliceDesconsiderando os valores atribuídos às medidas sensacionalistas e inócuas tomadas como prioridade, de derrubar as paredes dos escritórios e colocar a diretoria em ambientes coletivos, é certo que ”construir uma nova cultura organizacional” significa prover os meios para possibilitar com eficácia os fins almejados. Todavia, nada ainda foi tocado no modus operandi para superar as efetivas resistências prejudiciais à produtividade do Porto. Evitar a judicialização de contratos de obras em andamento e apresentar projetos que definam as obrigações a serem assumidas, por exemplo. Este é o horizonte que interessa de fato à comunidade do porto.

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Há anos Portogente defende a privatização da dragagem por resultado com contrato de longo prazo. Uma solução que talvez colidia com interesses de diretorias e com os indícios de corrupção, como o recente caso denominado por Draga Jato fartamente revelado aqui. Apesar disto, a diretoria anterior da Codesp não abriu procedimento investigatório para apurar tais fatos que envolvem altos valores, a despeito da responsabilidade de ter tomado conhecimento. Fundamental que se entenda que há soluções a serem equacionadas, como as que envolvem o estuário da cidade, e que devem ser detalhadas e formalizadas. Até agora, no entanto, nada foi dito sobre isso.

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Por tantas razões, o Porto de Santos deve se constituir no paradigma da necessária e urgente reforma dos portos brasileiros. Daí ser indispensável uma exposição do propósito real, ou seja, as razões, intenções e o regramento para se estabelecer um processo de solução produtivo. Criar valor para a sua expressiva comunidade será, reciprocamente, uma forma segura de agregar também eficácia à Autoridade Portuária, que se deseja como modelo para os portos do Brasil. Assim, promover de fato uma mudança de Estado inovadora do negócio portuário.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website