O sindicato da indústria naval brasileira (Sinaval) espera que o novo presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, adote uma postura de diálogo com o setor. "Vamos procurá-lo para conversar e assim demonstrar a importância que a indústria naval tem na geração de renda e empregos no Brasil", afirma o vice-presidente da entidade, Sérgio Bacci.

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A troca de comando da petrolífera brasileira se deu depois da paralisação de 16 dias dos caminhoneiros e dos petroleiros. Pedro Parente estava no cargo desde a mudança na Presidência da República, em 2016. A alteração na estatal é vista com atenção pela indústria naval, já que a Petrobras é a principal demandante.

O diretor da Ivens Consult, Ivan Leão, revela que o balanço de 2017 da Petrobras aponta perdas e aumento de despesas líquidas que somam R$ 4,532 bilhões nos projetos de construção naval no Brasil. As obras se referem a navios petroleiros e cascos de FPSO, em contratos com Eisa-PetroUM, Estaleiro Atlântico Sul, Ecovix-Engevix Construções Oceânicas, Enseada Indústria Naval e Estaleiro Rio Tietê.

Bacci discorda dos analistas que defendem a qualidade do ex-presidente da Petrobras enquanto gestor da companhia, para ele um bom gestor é aquele que escuta e tenta mediar situações. "Ele (Parente) radicalizou o ponto de vista dele com a intenção de resolver o problema de caixa da Petrobras e esqueceu que a empresa tem um papel fundamental para a economia brasileira e tudo que gira em torno da companhia", diz.

Para ele, a política de preços adotada pelo então presidente da Petrobras foi inconsequente, uma vez que provocou o desabastecimento do País com a greve dos caminhoneiros e "forçou a mão" do já enfraquecido Governo Federal. "A conta quem paga no final é o conjunto dos brasileiros", diz Bacci. Uma conta que já começa a surgir com a inflação oficial que acelerou 0,40% no mês de maio, em abril o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,22%, segundo informou na última sexta-feira (8) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Geração de empregos
O vice-presidente do Sinaval afirma que a entidade trabalha para reverter a situação iniciada à partir de 2014, na qual a Petrobras mudou a forma de contratação e passou a privilegiar a China nas demandas da companhia. O que ocasionou a queda na geração de empregos e comprometeu os estaleiros nacionais que atuam basicamente para atender a indústria de petróleo e gás.

"Uma comparação pertinente que tenho usado é que em 2014 a indústria naval empregava 82 mil pessoas de forma direta e a indústria automobilística, com todos os incentivos que não são poucos, empregava 136 mil pessoas. Diante disso, a pergunta que faço é: Se o número de empregos gerados no Brasil é parecido, por que a automobilística mantém os privilégios e a naval é jogada para o canto?", diz Bacci.

Os esforços do Sinaval e a discussão do futuro da indústria naval estão na agenda da 15ª Marintec South America, principal evento da América do Sul dedicado aos setores da construção naval, manutenção e operações. O evento acontece de 14 a 16 de agosto, das 13 às 20 horas, no Centro de Convenções SulAmérica, Rio de Janeiro (RJ).

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