Não é novidade para ninguém que o futebol brasileiro sofre com a desorganização e os clubes têm dívidas que somam montantes realmente preocupantes. Entretanto, com a pandemia, não só essa situação piorou, como ainda os avanços que tivemos nos últimos anos podem voltar para a estaca zero.

O Flamengo, grande favorito no site de sport bet, terá um prejuízo de 100 milhões em 2020 e o diretor financeiro já afirmou que antes de comprar alguém, algo que o clube fez nos últimos anos de forma avassaladora, será preciso vender jogadores.

Dívidas e mais dívidas

As dívidas no futebol brasileiro são tão comuns quanto a revelação de craques. Porém, no fim dos anos 2000, houve uma explosão nas receitas dos clubes, seja pelo aumento dos direitos televisivos e a profissionalização de diretorias, que começaram a perceber rendas completamente subaproveitadas.

Seja patrocínios, programas de sócio-torcedor, melhor venda de atletas, bilheteria, é inegável que os clubes começaram a receber mais. Mas o gasto também explodiu, com salários altíssimos, decisões péssimas e contratações absurdas. Se antes era raro um time ter dinheiro para contratar um jogador, por um período os clubes abriram os cofres para negociações que muitas vezes se provaram furadas.

Resultado: as dívidas cresceram e em um cenário de faturamento comprimido o rombo está criado.

Grandes que não são mais grandes

O futebol brasileiro foi emocionante por décadas pela existência de vários clubes de grande torcida, tradição e resultados. Mas essa última década criou castas no futebol brasileiro que não se importam com a história passada e sim a organização presente e a visão de futuro.

O Cruzeiro era competitivo até 2019, quando anos e anos de má gestão e completa irresponsabilidade cobraram seu preço. E que preço caro: o time foi rebaixado para a Série B, não conseguiu subir no ano seguinte e mesmo que consiga voltar à elite, será em uma realidade completamente diferente da de seus áureos tempos.

O Vasco fará companhia na segunda divisão nacional em 2021. E o time carioca conhece bem esses gramados porque é a quarta vez que foi rebaixado em menos de 15 anos. O time tem a Copa do Brasil em 2011 como único título expressivo desde seu primeiro rebaixamento em 2008 e não há cenário para melhora rápida: se o time revelar um craque inegável precisará vendê-lo. A queda brusca nos direitos televisivos por causa do rebaixamento gera um rombo. Os patrocínios também caem. A resposta é só um pacto com a torcida e a promessa de profissionalização em um clube totalmente dividido politicamente.

O Botafogo tem situação ainda mais complicada. Rebaixado pela terceira vez desde 2002, o clube tem uma torcida menos envolvida que a do Vasco e um auge esportivo que tem quase meio século de distância para os tempos atuais. O último grande título foi o Campeonato Brasileiro de 2005.

Se o Flamengo sofreu com 2020 por seus estádios vazios e queda de faturamento, Vasco, Cruzeiro e Botafogo não conseguem nem lamentar mais. A situação já é caótica há muito tempo.

Reconstruções

A solução para todos os clubes, não só endividados e campeões, é reconstruir e se reinventar nesse novo normal. Ficou claro para todas as atividades econômicas que um evento complicado como o que aconteceu em 2020 é suficiente para virar tudo ao contrário, por isso é preciso estar preparado para imprevistos e ter muitas fontes de renda engatilhadas.

A venda de jogadores talentosos, a criação de programas de sócio-torcedor que não envolva apenas ingressos em estádio, pensar em produtos licenciados diferentes e interessantes, enfim, é preciso criatividade, organização e saber tomar decisões difíceis para endireitar o futebol brasileiro.

Pin It
0
0
0
s2sdefault
powered by social2s

*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

O que você achou? Comente