Cada vez mais populares nas redes, influenciadoras digitais surdas, cegas, donas de marcas faciais e de diferentes deficiências inspiram seguidores a desenvolverem uma nova ideia sobre a beleza

*por Alessandra Goes Alves

Cada vez mais conhecidos no mundo virtual, o influenciadores digitais usam as próprias redes sociais e canais, como o YouTube, para enviar conteúdo a seus seguidores, geralmente, engajados com as publicações.

Nesse processo, tais usuários influenciam tomadas de decisões de seus seguidores, sendo figuras estratégicas para empresas que desejam expandir o público consumidor.

Sendo um dos mais novos pilares do marketing virtual, os influenciadores digitais não impactam somente a decisão de compra, mas também costumam influenciar o conhecimento e as escolhas de seus seguidores em diferentes esferas.

Logo, houve um aumento no número de influenciadoras comentando a importância de cada mulher cuidar de si mesma e manter a autoestima. Esta mensagem torna-se ainda mais importante quando os seus corpos não correspondem aos padrões estéticos vigentes. Confira algumas delas.

Shalom Blac

A afro-americana de apenas 23 anos se tornou conhecida no Instagram ao ensinar como maquiar pessoas que possuem cicatrizes no rosto. A ideia surgiu já que a própria Shalom sofreu um acidente com óleo quente quando tinha apenas 9 anos de idade. O episódio deixou inúmeras marcas em seu rosto e provocou a queda de seu cabelo.

Os tutoriais de beleza que ela compartilha em seu Instagram conquistam mais fãs a cada dia. Com mais de 743 mil seguidores, Shalom Blac enfatiza em suas postagens a necessidade de cada mulher amar a si mesma, independentemente de maquiagem e acessórios.

Nathalia Santos

A carioca de 27 anos é portadora de retinose pigmentar, o que a tornou completamente cega aos 15 anos de idade. O ocorrido, porém, não a impediu de se tornar apresentadora de um programa da TV Globo, ser a primeira de sua família a concluir o ensino universitário e uma das mulheres negras mais influentes do país pela revista Vogue.

A motivação de Nathalia para criar conteúdo em suas redes sociais surgiu a partir de mensagens individuais que lhe chegavam no privado, perguntando de que modo Nathalia vivia: como usava o celular, como foi sua vida escolar, como ela escolhia roupas. A iniciativa fez sucesso e Nathalia se tornou uma das influenciadoras referência, especialmente, para quem é, ou acompanha, um deficiente visual.

Cacai Bauer

A baiana é considerada a primeira influenciadora digital com Síndrome de Down no mundo. Com seus vídeos e suas fotos, Cacai mostra a seus seguidores que sua vida é como a de qualquer outra pessoa: feita de oportunidades, desafios e conquistas.

Desde pequena, Cacai tem o jeito carismático como uma de suas marcas pessoais. Hoje, ela conclui o ensino médio e nutre o sonho de se tornar uma estrela de Cinema. Em suas postagens, ela esbanja bom humor para responder perguntas enviadas por seus seguidores, compartilhar sua história e fazer paródias de funks.

Kitana Dreams

Os tutoriais de maquiagem são um dos mais visualizados em plataformas como o Instagram. Porém, quase nenhum deles é publicado em libras. Para suprir essa lacuna, a drag queen surda Kitana Dreams criou o seu perfil em redes sociais.

Contudo, Kitana não se limita a dar dicas de beleza e maquiagem, usando a linguagem para surdos. Em suas publicações, ela fala sobre a importância da inclusão de LGBTQI’s e surdos em diferentes espaços. Para ela, criar conteúdos é um modo de se sentir parte da sociedade.

Para publicar suas postagens, Kitara recebe a ajuda de seu marido, responsável pelos textos e pela montagem dos cenários, além de uma amiga que os ajuda a gravar. Kitana é quem monta, edita e legenda os vídeos para o português.

Paola Antonini

No fim de 2014, a modelo mineira sofreu um acidente de carro quando se preparava para uma viagem que realizaria com o namorado até Búzios, no Rio de Janeiro. A perda do controle do carro por uma motorista prensou Paola na traseira do automóvel de seu namorado, o que culminou na perda de sua perna esquerda após 14 horas de cirurgia.

Desde o acidente, Paola começou a partilhar a sua experiência enquanto mulher que sofreu uma amputação. Além de reconhecer a importância de agradecer, a cada dia, o fato de estar viva, Paola conta que essa mudança transformou completamente a ideia que ela tinha sobre a beleza.

Hoje, ela usa suas redes sociais para contar como é levar a vida com a perna mecânica e busca dar mais espaço para outras mulheres que passaram por experiências semelhantes à dela. Este é o caso da surfista Bethany Hamilton, que perdeu um braço após sofrer um ataque de tubarão. Aumentar a representatividade dessas mulheres em diferentes espaços é um dos enfoques de Paola Antonini.

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