A preocupação com a segurança dos trabalhadores portuários é cada vez mais evidente. Acidentes são corriqueiros e, causados por inúmeros motivos, acabam gerando doenças, amputações e até mortes. Para diminuir o número de vítimas, é necessário avaliar os riscos, analisar o ambiente de trabalho e prevenir todas as pessoas envolvidas.

 

Para isso entra em ação o técnico em segurança do trabalho, uma função pouco conhecida, mas que ganha espaço principalmente entre as grandes empresas. A profissão é regulamentada há quase 30 anos e visa garantir a qualidade de vida do trabalhador.

 

O técnico em segurança do trabalho deve ser um profissional dinâmico, ético, rápido e, acima de tudo, negociador. Essa é a visão de Sílvio José Maffei, professor do Senac Santos e coordenador do curso técnico em Segurança do Trabalho da instituição. Para ele, a base da função é negociar com os superiores. “É preciso provar e fundamentar para o empregador de que a prevenção e as possíveis mudanças são necessárias para a garantir a segurança no ambiente de trabalho. O técnico tem que mostrar que as ações planejadas somente irão gerar benefícios”.

 

Maffei destaca outra qualidade essencial em um trabalhador de qualidade do setor: a pró-atividade. “Não pode ficar parado. É imprescindível se antecipar e prever o que pode acontecer”.

 

A unidade Santos do Senac abriga, atualmente, seis turmas – de cerca de 40 alunos cada - do curso técnico em Segurança do Trabalho. O curso tem duração de 18 meses consecutivos. Uma turma conclui os trabalhos ainda nessa semana. Novas inscrições devem ser abertas no segundo semestre. Os interessados devem estar cursando o terceiro ano do 2º grau ou já terem concluído esse ciclo do Ensino Fundamental.

 

Maffei conta que grande parcela dos estudantes da área é formada por pessoas que já atuam no mercado de trabalho. Segundo o coordenador, elas descobrem a atividade de técnico em segurança do trabalho nas empresas em que trabalham. “Em algumas empresas já existe até um setor específico para função. Muitos se interessam e acabam correndo atrás de informações para exercer a atividade”. As empresas que mantêm funcionários ligados à segurança, em geral, são de risco elevado para os trabalhadores. Na região, os terminais do cais santista encaixam-se nesse perfil.

 

O professor lembra que, embora desconhecida do grande público, a profissão já possui alguma tradição. Maffei também atua como consultor de segurança para empresas. “Como exerço essa função e estou no mercado, percebo que os empregadores vêm valorizando mais o técnico em segurança do trabalho com o passar do tempo”.

 

A principal função do técnico é descobrir soluções para minimizar os riscos existentes em cada ambiente de trabalho. O perigo, em inúmeros segmentos, é inevitável e eminente. Por isso, Maffei ressalta a importância do treinamento e da qualificação do profissional. “Os equipamentos utilizados no curso estão presentes no cotidiano da atividade. Entre eles estão os instrumentos de medição de ruído, calor, luminosidade, umidade, velocidade do vento e de gases tóxicos e inflamáveis”.

 

O conhecimento da legislação que rege o assunto e constante atualização sobre as evoluções técnicas são primordiais para executar um trabalho adequado, conta o coordenador. De acordo com ele, todo o sistema portuário, principalmente as transportadoras, os terminais alfandegados, não-alfandegados e retroportuários são os pólos de maior concentração de técnicos em segurança do trabalho.

 

Dessa forma, foi preciso incorporar a segurança do trabalho portuário à disciplina de Gestão Integrada. Maffei destaca que essa é uma das vertentes da disciplina e que qualifica o aluno a trabalhar no cais santista.

 

O professor Antonio Biz leciona no curso técnico de segurança do trabalho. O enfoque da sua aula é voltado, exclusivamente, para o setor portuário. Ele afirma que as bases da aprendizagem são as normas do ISPS-Code e a Norma Regulamentadora (NR) 29. “Por meio do sistema multimídia, transmito aos futuros técnicos como é o sistema de segurança no Porto de Santos”. Durante a aula, Biz conta que são apresentadas fotografias dos gates espalhados pela Cidade, além de explicações relacionadas como funciona o terminal portuário santista e todo o sistema de transportes que envolve o setor.

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