A população que habita áreas próximas às indústrias deve ser informada sobre o risco de acidentes de grandes proporções e treinada para conseguir sobreviver ao impacto e as conseqüências do sinistro. Com esse objetivo, a Defesa Civil do Estado de São Paulo tornou pública há cerca de um ano, a intenção de implantar o Plano Apell – da sigla inglesa - Programa de Alerta e Preparação da Comunidade para Emergências Locais - em Santos.

 

A coordenadora do grupo de trabalho para o desenvolvimento e implantação do Plano Apell, em Santos, Regina Elsa Araújo, da Defesa Civil do Estado de São Paulo, afirmou que, em princípio, tem como piloto o pólo industrial da Alemoa, onde se situam empresas que estocam e manipulam substâncias de alto risco.

 




A Alemoa, na Zona Noroeste de Santos, é chamada área de retroporto, onde estão localizados terminais de granéis líquidos,

transportadoras, terminais de contêineres e laboratório de inspeção, que dão sustentação ao Porto de Santos. Esse grupo comporta empresas locais, nacionais e multinacionais.  

 

As companhias possuem seus próprios planos internos de contingências e treinamento de pessoal através do Plano Integrado de Emergência (PIE), para casos de acidentes de grandes proporções, porém a população que mora em áreas próximas não está preparada para enfrentar graves acidentes no local, se ocorrerem. De acordo com Regina, cabe a Defesa Civil orientar e treinar essa comunidade.

 

Segundo ela, o processo do Apell ainda está em fase de elaboração, “está sendo escrito”, pois é um trabalho complexo de estudos detalhados da área industrial, das pessoas que habitam regiões próximas, dos possíveis acidentes no local, do impacto e danos causados a população, ao patrimônio e ao meio-ambiente. Para que o plano obtenha êxito é necessária a integração do poder público, indústrias e da comunidade em todos os passos do seu desenvolvimento.

 

Atualmente o grupo coordenador é composto pela Defesa Civil do Estado de São Paulo, Defesa Civil de Santos, Prefeitura de Santos, Universidade Católica de Santos, Cetesb, Corpo de Bombeiros, Codesp, Capitania dos Portos, representantes da Petrobrás e Ecovias. “Primeiro estamos escrevendo o plano, depois discutiremos planta por planta junto as indústrias que passarão a integrar o grupo”, afirmou Regina.

 

O grupo conta com a Transpetro para a identificação dos cenários de acidentes. “Nós estamos dando o primeiro passo dentro da Transpetro-Alemoa e já identificamos alguns cenários de acidentes. Projetamos o pior cenário que poderia acontecer. O risco maior não está nos tanques, mas nas esferas (foto) daquela indústria”, explanou. Disse que um acidente de grande impacto é conhecido como blêve. O pior acidente seria uma explosão cujos efeitos seriam sentidos num raio de quase mil metros, conforme estudos técnicos. O que compreende as áreas onde estão localizados a população das empresas vizinhas, um trecho da Rodovia Anchieta e moradores que habitam os bairros do Jardim Piratininga, Favela da Alemoa, Jardim Castelo e parte do Saboó, na Zona Noroeste de Santos”, afirmou.

 

Regina disse que foi elaborada uma planta e sobre ela uma projeção. Na projeção foram delimitadas as áreas que seriam passíveis de sofrerem o impacto e as comunidades atingidas. “Num passo mais avançado, a população será cadastrada para fins de identificação e, então, ser trabalhada e treinada. Estamos desenvolvendo uma forma de abordagem dessas pessoas por meio da Unisantos”. Destacou que o papel dos meios de comunicação no processo de informação da população, no modo como tratam a notícia, é fundamental para não gerar pânico. “É preciso alertar as pessoas sobre o risco de acidentes, conscientizá-las e prepará-las”.

O Apell é um processo complexo cuja última etapa é o plano. Encerrado o processo, vem a fase mais importante que é o treinamento da comunidade. Observou o porto de Santos, mas disse que esta área, por enquanto não será explorada. “O porto de Santos é um desafio muito grande. É preciso levantar o número de navios que aportam no cais, a capacidade e a natureza do material transportado, a quantidade e a natureza da carga estocada. Há produtos de valor agregado, portanto industrializados, mas a grande maioria dos produtos é de matéria-prima. Levantar o número de pessoas ao longo do cais, entre funcionários da Codesp e trabalhadores terceirizados. Por exemplo, se ocorrer um acidente, dependendo da natureza do produto (vazado, explodido ou incendiado), qual o reflexo que ele pode causar na população? Você tem que prever toda a faixa de escritório até o centro de Santos, (rua por rua, quadra por quadra, prédio por prédio)”, apontou.

 

Como o processo está no início ainda não há previsão de quando será feito o treinamento da população vizinha ao pólo industrial.

 

São Sebastião – Atualmente São Sebastião, no Estado de São Paulo, é a única cidade com terminal de petróleo que tem um plano de emergência em operação no Brasil. O Plano Apell é gerenciado pela prefeitura, envolvendo diretamente a comunidade e os órgãos competentes como a Defesa Civil.

A gincana Apell foi desenvolvida com o objetivo de conscientizar moradores, alunos e todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, estão nos locais considerados de risco tecnológico. Assim a Defesa Civil em parceria com a Transpetro, elaborou um simulado visando capacitar a comunidade a agir em caso de acidentes.

Este plano foi desenvolvido pelo Programa de Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU) e implantado no Brasil, oficialmente na fábrica Maceió Cloro-Soda, em 1993.

 

Créditos:

 

Fotos:

Alemoa - Foto do arquivo do Grupo Alemoa
Esfera da Transpetro - http://www.sistac.com.br/Sistac_Transpetro.htm
São Sebastião -
http://litoralvirtual.com.br/noticias/2002/12032002.html

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