Por Thaís Barbosa

 

O desenhista por vocação Pedro Pinto fez a comunicação visual total do Porto de Santos, de 81 até o ano de 2000, quando se aposentou, mas ainda é possível ver pelo cais seus desenhos em placas que alertam para a preservação do verde entre outras coisas, como maquetes e projetos de estandes.

 

Pedro entrou para a Cia Docas do Estado de São Paulo, em 1966 e trabalhava como desenhista de projetos técnicos, mas sempre teve habilidade para desenhos artísticos. “Eu fazia a caricatura da turma que trabalhava comigo e foi assim que meus desenhos foram sendo conhecidos, mas o ponta pé inicial foi com o Jornal do Porto, em 81, quando foi criada a primeira assessoria de imprensa da Codesp e no jornal era usavado muita ilustração”.

 

Em 86 foi criado o sistema de comunicação visual da empresa e Pedro Pinto ficou como o responsável pela área de criação e foi aí que nasceu o bonequinho que até hoje é visto em diversas situações pelo Porto de Santos.

 

A criação do boneco surgiu a partir da idéia de ter algo que ao olhar fosse imediatamente relacionado ao Porto, como uma marca registrada, igual a coruja da Eternity, o garotinho da Brastemp e o das Casas Bahia. “Eu fiquei pensando e fiz o boneco em um cartaz  e logo depois tornei a repeti-lo em outro, daí as pessoas começaram a gravar e parar para ler o que ele estava mostrando ou fazendo, consegui com esse desenho passar informações importantes para diversas pessoas que trabalham no cais com variado nível escolar e cultural”.

 

A marca ficou tão forte que passou a estar presente em todo o Porto de Santos. As locomotivas da empresa levavam cartazes, além das placas de trânsito e murais. O primeiro mural  que o desenhista fez foi no Valongo. “Eu me orgulhava daquele trabalho, porque ali é um lugar barra pesada, mas sempre respeitaram o nosso mural, meu e da minha equipe, nunca nenhum mural foi pichado”. Outro mural do qual o artista teve muito apreço era o do Mercado, que do alto do Monte Serrat se via.

 

É claro que o ‘xodó’ de Pedro Pinto são seus desenhos artísticos, mas ele não fazia só isso, em 92 desenhou o projeto do monumento em comemoração ao centenário do Porto de Santos e foi chamado pelo então presidente da Codesp, José da Costa Teixeira para fazer um novo logotipo para a empresa. “Houve um concurso público aberto, quando foi extinta a portobrás, para que fosse feito um novo logo, eu não participei do concurso porque como eu era funcionário achei que não era certo, mas daí o presidente me chamou e mostrou o trabalho dos 8 finalistas e disse que a diretoria não havia gostado e se eu poderia dar um jeito naquilo. Então, eu aceitei o desafio e fiz três versões e a escolhida foi essa que está aí até hoje”. Além disso teve sua maquete de Itatinga exposta durante a Eco 92, onde fez o maior sucesso. “Diante de tanta tecnologia a nossa maquete chamava atenção pela simplicidade”.

 

O boneco criado por Pedro estava em tudo referente ao Porto, desde cartazes de segurança, saúde, prevenção, campeonatos de futebol, festas e etc. O último boneco foi desenhado em 2000, mas o descanso da aposentadoria só durou 5 meses, quando foi chamado para trabalhar novamente para a Codesp, mas agora fazendo somente maquetes e estandes.

 

O trabalho de Pedro Pinto com as maquetes começou junto com os desenhos, pois a empresa sempre participou de seminários, de encontros como o intermodal, expomodal, o transnacional e muitas outras feiras. Hoje em dia seu tempo é todo dedicado aos projetos e confecções dessas miniaturas do Porto de Santos, em réplicas fiéis, com números de escalas exatos.

 

Uma mudança brusca para o desenhista nos tempos atuais é que ele agora trabalha sozinho. "Antigamente eu tinha uma equipe comigo o que agilizava o trabalho, mas não é de todo mal estar só as idéias continuam surgindo, só não tenho com quem debate-las".

 

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