O Sindicato dos Estivadores de Santos está indignado com a perda de mais um trabalhador portuário. Wilson Rodrigues dos Santos, 38 anos, sofreu um acidente fatal no cais santista na tarde de sábado, 23 de junho, três semanas depois do seu companheiro Rubens da Silva Ruas ter perdido a vida no porão de enxofre no Terminal Marítimo de Guarujá, o Termag.

 

O estivador Wilson é o sexto trabalhador só neste ano vítima da insegurança das operações do Porto de Santos. Ele morreu a bordo do navio de bandeira panamenha Yu Gu He, atracado no terminal da Santos Brasil quando foi esmagado a bordo por um dos contêineres. De acordo com o 2º secretário do sindicato Marco Antônio Bonfim, a Polícia Federal e a Marinha foram acionadas imediatamente, mas chegaram ao local muito tempo depois quando o corpo do estivador já havia sido encaminhado ao hospital Santo amaro, em Guarujá.

 

Sobre o atendimento à vítima no momento do acidente, Bonfim questiona o tempo do socorro. “Demorou 20 minutos para a ambulância do terminal chegar. Eu pergunto porque é que não fizeram um eletrocardiograma ali na hora para constatar se ele estava vivo ou não. Decidiram chamar o resgate e levá-lo ao hospital, mas ele já chegou morto”. Wilson tinha 11 anos de cais e há dois era sindicalizado. Era casado e deixou três filhos.

 

Mas não é somente essa morte que preocupa os dirigentes sindicais. No mesmo dia, um outro trabalhador se acidentou no mesmo navio e um operário da capatazia perdeu o dedo durante operação no Armazém 12. Dois dias depois, um trabalhador de bloco caiu e bateu a cabeça no terminal da Santos Brasil e à noite um estivador acabaria se machucando dentro da Libra Terminais.

 

Por conta desse número alarmante, o Sindicato dos Estivadores decidiu implantar por três dias a “Operação Padrão” em todo o complexo portuário. A operação foi iniciada na última segunda-feira (25) e visa chamar atenção das autoridades e da população. “Os trabalhadores foram escalados normalmente conforme pedido do operador. Nós apenas exigimos tudo o que era de direito, EPI, cinto de segurança, etc. Em todos os terminais estava faltando alguma coisa”, relata o 2º secretário.

 

O presidente do Sindicato enviou ofício às autoridades federais e locais, relatando o saldo de mortes desse ano e pedindo providências. A prefeitura de Santos também prestou solidariedade ao sindicato e em reunião com todos os líderes sindicais do Porto de Santos decidiu encaminhar um documento ao ministro da Secretaria Especial dos Portos, Pedro Brito, destacando as principais irregularidades reportadas, e também solicitar providências ao Ministério Público do Trabalho.

 

"Vamos fazer um roteiro com propostas concretas para os pontos relatados que estão colocando vidas em risco, que será entregue ao ministro Brito", afirmou o prefeito João Paulo Tavares Papa. Ele também observou: "O porto se modernizou em termos de equipamentos, de tecnologia, mas em relação à segurança do trabalhador continua no século passado".

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