Faturamento médio dos Operadores Logísticos  cresceu 21% em 2019. Setor gera 1,5 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos e arrecada R$ 14,7 bilhões em tributos e R$ 11,5 bilhões em encargos trabalhistas

Encerrando a série de atividades em comemoração ao aniversário de oito anos, a Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol) promoveu, na semana passada, videoconferência para apresentar a edição 2019/2020 da pesquisa Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil.

operadorlogistico

O estudo, encomendado pela associação à Fundação Dom Cabral (FDC), vem sendo realizado desde 2014 e traz um detalhamento das características e tendências do mercado da operação logística. Sob a coordenação do professor de Logística, Transporte e Planejamento de Operações e Supply Chain, e coordenador do Núcleo de Infraestrutura, Supply Chain e Logística da FDC e pesquisador responsável pela Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes, Paulo Resende, o estudo mostrou um crescimento no faturamento anual e no número de empresas.

O levantamento abrangeu um universo de 275 empresas e revelou uma Receita Operacional Bruta (ROB) total de R$ 100,8 bilhões anuais, estimando um faturamento médio de R$ 366 milhões, por empresa. Adicionalmente, o setor é um dos que mais emprega nos dias de hoje, gerando aproximadamente 1,5 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos, e arrecada R$ 14,7 bilhões em tributos e R$ 11,5 bilhões em encargos trabalhistas.

Na comparação com a versão anterior da pesquisa, divulgada em dezembro de 2018, o número de empresas era de 269, com o total da ROB anual de R$ 81,4 bilhões, o que representava um faturamento médio de R$ 302,6 milhões, por empresa.

“O fato de o Operador Logístico não ter uma Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) específica dificulta em muito a medição exata de quantos somos e do quanto representamos” observou o diretor presidente e CEO da ABOL, Cesar Meireles. “É realmente um esforço importante que fazemos para identificar nesse ecossistema quem são as empresas que comungam com a taxionomia (definição) do Operadores Logísticos”.

Meireles contou que o estudo foi antecipado para analisar também o momento da pandemia e enfatizar como as empresas do setor vêm lidando com os novos desafios impostos. “Como sociedade civil sem fins lucrativos, temos por política compartilhar todos os nossos estudos para promover conhecimento. Sendo assim uma colaboração da associação com todos os stakeholders e sociedade em geral e dentro da cadeia logística de valor na qual o Operador Logístico está inserido”, disse.

“O PL certamente vai trazer um ambiente melhor de negócios, reduzindo a burocracia e as obrigações acessórias. Assim, teremos um ambiente de maior segurança jurídica, que, por consequência, permitirá identificar novas frentes para investimentos. Em decorrência disso, teremos mais geração de empregos, de renda, assim como melhores arrecadações para o erário”, avaliou o diretor presidente e CEO da entidade.

Abrangência e Diversidade
De acordo com o professor Paulo Resende, há uma tendência entre as empresas de ampliar o espectro de serviços oferecidos, bem assim os seus ambientes de atuação. Além de transporte, armazenagem e gestão de estoques, as empresas intensificam sua aproximação do mercado de consumo final. “Os Operadores Logísticos no Brasil seguem exatamente a tendência mundial que é sair de uma posição mais distante nas cadeias produtivas para, justamente, aproximarem-se do consumo final. Os Operadores Logísticos devem ocupar, em breve, todo o espectro das cadeias de suprimento e distribuição”, analisou Resende.

Outra constatação do estudo diz respeito à diversidade de segmentos de mercado nos quais os Operadores Logísticos atuam. Há uma predominância no automotivo, alimentos e bebidas, eletroeletrônicos, saúde (humana e animal), têxtil e varejo, segmentos já tradicionais na dinâmica logística, segmentos de alto valor agregado e peso bruto baixo, com alto giro de estoque. Mas, outros segmentos passaram a figurar no horizonte das empresas do setor logístico.

“Em função do comércio eletrônico e das mudanças na dinâmica de consumo, existe, agora, um movimento intenso de aproximação do mercado de consumo final e uma ampliação na atuação, com presença em determinados segmentos, como telecomunicações, tecnologia industrial e de serviços bancários e comércio eletrônico. Temos, então, uma consolidação do atendimento à indústria tradicional, da linha de produção até os Centros de Distribuição (CD), mas também temos a entrega direta no varejo, chegando com uma nova onda de serviços. Agora, a oferta é de soluções, o que é extremamente importante. A amostra nos apontou que os Operadores Logísticos começam a ultrapassar além das CNAEs nas quais atua tradicionalmente, como transporte e armazenagem, também forte presença em outras atividades que servem de apoio para a aproximação ao consumo final. Ou seja, o Operador Logístico vem expandido muito rapidamente sua presença na cadeia de suprimentos e distribuição”, avalia o professor da FDC.

Evolução do Setor
Sobre a evolução do setor, a pesquisa indicou um crescimento consistente e significativo. Em 2013/2014, quando a primeira pesquisa foi realizada, o setor era composto de 159 empresas que se enquadravam na taxionomia definida pela ABOL, a saber: pessoa jurídica capacitada a prestar, através de um ou mais contratos, por meios próprios e/ou por intermédio de terceiros, os serviços de transporte (em qualquer modal), armazenagem (em qualquer condição física ou regime fiscal) e gestão de estoque (utilizando sistemas e tecnologias adequadas). Hoje, 275 empresas compõem o setor.

“Mesmo se a base de comparação for a edição de 2017/2018, quando tínhamos 269 empresas, a evolução é consistente, porque é preciso ter cuidado e não se precipitar em conclusões equivocadas: tivemos movimentos de fusões e aquisições entre grandes players. Ou seja, houve consolidação com crescimento”, comentou Resende.

O professor chama a atenção para os resultados relacionados ao faturamento dos Operadores Logísticos no País. “Considerando os últimos seis anos, o setor mais do que dobrou o seu faturamento estimado, mesmo com a grande recessão experimentada no período. O faturamento médio dessas empresas cresceu 21%, comparado aos últimos resultados. Além disso, é um grupo que emprega direta e indiretamente mais de 1,5 milhão de pessoas. Não é pouca coisa. Os Operadores Logísticos já estão entre os 25 maiores empregadores no País, quando consideramos total de pessoal empregados no setor privado puro, arrecadando mais de R$ 26 bilhões em tributos e encargos trabalhistas”, pontuou o professor.

Nesse cenário, as associadas da Abol representam 19,4% na receita operacional do setor, registrando faturamento médio superior em 64%, empregando quase 8% do contingente de trabalhadores do setor.

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