Para garantir a segurança devido às condições da maré, a Praticagem do Estado de São Paulo adiou a entrada do navio Kota Permimpin, de bandeira de Hong Kong, nesta terça-feira (18/02). A previsão é que a manobra seja realizada às 12 horas desta quarta (19/02).

Navio chinêsNavio chinês aguarda na barra do Porto de Santos. Crédito: Jornalista José Rodrigues | Praticagem.

Procedente de Singapura, o Kota Pemimpin esteve em portos chineses nos últimos 30 dias, mas não tem tripulantes suspeitos com o coronavírus, como garante a Anvisa. A atracação só não ocorreu, segundo a Praticagem do Estado de São Paulo, por contra das condições da maré.

O caso de dois tripulantes com sintomas de gripe foi avaliado e descartado como suspeitos de coronavírus pela Anvisa. Mesmo assim, o navio de Hong Kong não conseguiu atracar porque não havia maré suficiente para ele pudesse deixar a barra e entrar no Canal do Porto de Santos. O calado é de 14m40 (distância da superfície da água até a parte mais baixa do casco do navio) e para entrar é necessário mais de 15m90.

Carlos Alberto Souza Filho, presidente da Praticagem do Estado de São Paulo, explicou: “Temos sensores em tempo real que medem a altura de maré no Porto de Santos, e esses sensores na maioria das vezes auxiliam a operação dos navios. Geralmente, temos mais água do que a maré calculada, mas hoje, ocasionalmente aconteceu de a maré real estar abaixo da maré prevista, em cerca de 20 cm. Para que o navio navegue com segurança, sem risco de tocar o fundo e encalhar, precisamos mais do que 15m90”, afirmou.

A primeira previsão para a atração era durante a madrugada, mas a questão operacional, que ocorre normalmente no Porto de Santos, justificou o adiamento.

Mesmo com a orientação da Anvisa de que não há contaminados a bordo, Souza Filho disse que a discussão foi muito salutar entre os envolvidos e levantou a questão da concessão da livre prática. “O prático é o primeiro profissional que embarca no navio. Está havendo uma interpretação um pouco distorcida do Regulamento Sanitário Internacional, do qual o Brasil é signatário, e que diz que a livre prática é um documento necessário para autorizar o navio a entrar no Porto, e depois operar. A interpretação atual é que seria somente a operação, ou seja, a Anvisa vai a bordo para verificar o pessoal, mas depois que o navio atraque. Mas antes disso o prático já embarcou lá fora, em um ambiente confinado e em contato com pessoas que vêm de um local onde está havendo uma epidemia”, alerta o Presidente da Praticagem.

Souza comenta que é preciso lembrar que a China é um importante parceiro comercial do Brasil. “Esse é o primeiro navio que está chegando, mas teremos centenas de navios chegando da China, principalmente quando iniciar a safra de soja, açúcar, feijão. Precisamos atenção para que ocorra uma alteração nas normas da Anvisa, para que seus funcionários façam a inspeção inicial a bordo na área de fundeio de quarentena, existe um local para isso”.

Equipes do Governo Federal, do Estado e do Município avaliarão os tripulantes e as condições sanitárias dos navios que chegarem ao Porto de Santos.

Providências antecipadas
Em janeiro, a Praticagem do Estado de São Paulo solicitou às agências marítimas e armadores informações sobre a existência de tripulantes de navios provenientes de regiões de risco com sintomas do coronavírus ou que embarquem nos portos de Santos ou São Sebastião vindos da China por avião, uma vez que o vírus pode permanecer incubado por até duas semanas. Além disso, adotou medidas especiais para garantir a segurança pessoal de sua equipe, como manter à disposição, na Ponte de Embarque, de Equipamentos de Proteção Individual como máscaras, luvas especiais e óculos para embarcar nos navios.

Os procedimentos visam aumentar a segurança dos práticos e da população da região, ao evitar o risco de contaminação e impedir que os práticos sejam vetores da disseminação da doença.

Precauções e sugestões
A partir do Informe apresentado pela Sociedade Brasileira de Infectologia sobre o coronavírus, e enquanto as autoridades não têm informações mais precisas, a Praticagem do Estado de São Paulo adotou procedimentos para evitar o risco de contaminação, uma vez que os práticos realizam o trabalho em navios que chegam de vários portos internacionais, incluindo os navios chineses.

Segundo a Praticagem, é importante observar que o tempo de incubação desse vírus é bem inferior à duração da viagem marítima Brasil-China. Assim sendo, se algum tripulante tiver sido infectado no dia da saída na China, provavelmente já chegará em Santos em estado grave. Há, ainda, um potencial risco na troca de tripulantes de navios em Santos, considerando a possibilidade de marítimos infectados virem de avião sem que ainda apresentem sintomas.

 

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