Geração de emprego e reforma tributária devem ser prioridades para estimular a economia e os negócios em 2020, de acordo com empresas que participam de estudo da Deloitte com receitas equivalentes à metade do PIB nacional

A "Agenda 2020", quarta edição de pesquisa anual da Deloitte, traz as perspectivas de 1.377 empresas que, juntas, faturam o equivalente à metade da riqueza gerada no País, totalizando R$ 3,5 trilhões em receita no último ano. Do total de participantes, 62% estão em cargos de conselho, presidência e diretoria. O levantamento abordou as iniciativas que os empresários pretendem conduzir em diferentes cenários da economia e levantou sua visão sobre os pilares da política econômica do Governo em 2019 e as prioridades a endereçar em 2020, visando a construção de um ambiente de negócios mais saudável para a retomada de investimentos e a geração de empregos.

Economia DeloitteImagem do Freepik.

Investimentos
De forma geral, o otimismo prevalece entre o empresariado brasileiro. Sete em cada dez entrevistados esperam que 2020 seja um ano positivo para os negócios. Segundo o levantamento, independentemente do cenário a se materializar no próximo ano, os líderes de negócios pretendem continuar investindo em iniciativas como novas tecnologias (item indicado por 74% dos entrevistados), treinamento e formação de funcionários (73%), lançamento de novos produtos ou serviços (67%) e pesquisa e desenvolvimento (58%). E, em caso de melhora do cenário em relação ao atual, o investimento em novas tecnologias sobre para 94% do total de entrevistados e a formação de funcionários receberá investimentos por parte de 93% das empresas.

"Este resultado da ´Agenda 2020´ sinaliza a preocupação emergente das organizações com as transformações disruptivas do mercado, que interferem hoje na capacidade de competir na era digital. Investir consistentemente em novas tecnologias e no aprimoramento do capital humano se torna então uma questão-chave, especialmente quando a economia se estabiliza e as empresas podem se voltar com mais força às suas estratégias de crescimento no médio e longo prazos", afirma Altair Rossato, CEO da Deloitte.

Geração de empregos
A maior parte dos entrevistados (72%) indicou que, independentemente do cenário de 2020, pretende manter o atual quadro de funcionários, com ou sem substituições. E quando a perspectiva de melhora da economia se coloca, a maior parcela (58%) passa a sinalizar que pretende aumentar o número de profissionais contratados.

Captação de recursos
Opções como emissão de títulos de dívida e abertura de capital (IPO) são ainda desconhecidas por até metade das empresas participantes da pesquisa. Apesar disso, o percentual e o número absoluto de empresas da amostra que sinalizam interesse em realizar IPO no próximo ano representa um recorde na série histórica da pesquisa (34, ou 3% da amostra total).

Renata Muramoto, sócia da área de Consultoria e líder do CFO Program da Deloitte, analisa que, "após um ano positivo para o mercado de capitais no Brasil, as IPOs despontam como uma perspectiva real em 2020 para um número razoável de empresas. Por outro lado, as formas tradicionais de captação de recursos ainda tendem a predominar, em um contexto hoje diferente do histórico de altas taxas de juros que vivenciamos até aqui. Por isso, a governança e a adoção de boas práticas continuam sendo essenciais para organizações que buscam ampliar suas fontes de recursos".
Alguns desafios históricos apontados pela pesquisa em edições anteriores se mantêm nesta, pelo que se capta da visão da maior parte dos entrevistados, que reclamou da burocracia no caso dos bancos de fomento e do alto custo, em relação aos bancos de varejo.

Atividade econômica
Quando perguntadas sobre quais seriam as ações prioritárias para que o Brasil tenha um ambiente econômico mais próspero, no qual as empresas possam retomar os investimentos e as contratações, 79% indicaram o estímulo à geração de empregos, item seguido por investimentos em infraestrutura (ferrovias, rodovias, hidrovias e portos, com 57%), ampliação da participação da economia brasileira no comércio exterior (54%) e aumento do número de concessões e leilões (52%).

"É natural a preocupação dos decisores empresariais com a melhoria da infraestrutura do País e da própria participação privada nessa área, por meio de concessões e leilões. Afinal, esses investimentos podem ser especialmente importantes para que o Brasil possa destravar gargalos históricos para as nossas cadeias de produção e distribuição, por exemplo. Dessa maneira, a inserção da economia brasileira no comércio exterior, outra prioridade identificada entre os empresários entrevistados, pode ser facilitada, em um círculo virtuoso no qual investimentos geram crescimento dos negócios e mais riqueza para o País" avalia Renata Muramoto.

Gestão pública
De modo geral, o empresariado aprova pilares centrais da política econômica conduzida em 2019, como os que levaram à redução dos juros básicos e à reforma da previdência (itens citados com 82% e 76%, respectivamente). A reforma da previdência, inclusive, é ainda tema controverso numa avaliação geral dos empresários. Do total de participantes, 60% consideram que a reforma da previdência ainda favorece alguns grupos.

Por outro lado, há uma expectativa do empresariado de avanços maiores do País em relação ao ajuste fiscal, à redução da burocracia, ao combate à corrupção e a ações de impacto social, como saúde, educação, meio ambiente e segurança pública − estas figurando entre os itens que registraram as maiores taxas de insatisfação. Segundo os entrevistados insatisfeitos com os ajustes fiscais especificamente, o que foi realizado até o momento não se mostrou suficiente para trazer o equilíbrio necessário às contas públicas.

Há também uma demanda do empresariado por mais abertura aos mercados internacionais. Na visão deles, essa abertura deve se dar tanto para mercados tradicionais, como China, Europa, Estados Unidos e Mercosul, como também para novos parceiros que tenham grande potencial de investimento no Brasil.

Metodologia e amostra
A edição deste ano da pesquisa "Agenda" contou com a participação de 1.377 empresas, cujas receitas líquidas da totalizaram R$ 3,5 trilhões em 2019 -- equivalente a 50% do PIB brasileiro, considerando o valor deste de R$ 7 trilhões, com base no acumulado de 12 meses até o 2º trimestre de 2019. A distribuição geográfica da amostra dividiu-se da seguinte forma (considerando a sede das empresas): 57% em São Paulo, 16% nos demais Estados da Região Sudeste, 15% na Região Sul, 9% no Nordeste, 3% no Centro-Oeste e 1% no Norte do País. Do total dos respondentes, 62% estão em cargos de conselho, presidência e diretoria. Adicionalmente, 39% das empresas participantes são de bens de consumo, 24% de serviços, 14% de TI e Telecomunicações, 14% de Infraestrutura e Construção e 9% de Atividade financeira.

>> Todos os resultados da pesquisa você pode conferir clicando aqui

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