Segundo pesquisadoras da Facamp, elas são mais afetadas pelas condições adversas de um mercado com altos níveis de subutilização da mão de obra.

O segundo trimestre de 2019 registrou aumento da subocupação e da informalidade no emprego feminino. Segundo dados divulgados dia 15 de agosto pelo IBGE, no que diz respeito à taxa de subocupação (percentual de pessoas que trabalham menos de 40 horas semanais e que gostariam de trabalhar mais), é possível notar um crescimento mais expressivo para as mulheres (de 0,8 ponto percentual quando comparado com o trimestre anterior) do que para os homens (0,3 ponto percentual).

Uma análise do núcleo de Pesquisas de Economia e Gênero da Faculdades de Campinas (Facamp), aponta que o crescimento do número de mulheres ocupadas, que se refletiu na moderada queda da taxa de desocupação, ocorreu em ocupações com cargas de trabalho inferiores às desejadas e consideradas suficientes pelas mulheres.

Além disso, é possível notar que as taxas de desocupação, de subocupação e de subutilização da força de trabalho feminina são substantivamente superiores às dos homens.

Mulheres subocupação

“A taxa de subutilização da força de trabalho das mulheres, por exemplo, é quase 10 pontos percentuais maior do que a dos homens (29,7% versus 20,6%). Isso mostra como as mulheres continuam sendo mais afetadas pelas condições adversas de um mercado de trabalho com altos níveis de desocupação e de subutilização da mão-de-obra”, afirma Juliana de Paula Filleti, pesquisadora e economista da Facamp.

A participação das mulheres e homens na População em Idade Ativa (PIA) no segundo trimestre foi de, respectivamente, 52,5% e 47,5%, porcentagens próximas às da estrutura populacional brasileira por sexo. No entanto, as mulheres são a minoria no contingente de pessoas ocupadas e no conjunto da população que representa a força de trabalho brasileira. As mulheres voltam a representar a maioria nas categorias que incluem o desemprego e a situação precária no mercado de trabalho: pessoas subocupadas (54,4%), desocupadas (52,8%) e na Força de Trabalho Potencial – FTP (59,9%). Além disso, cerca de dois terços das pessoas fora da FTP (65,2%) e das pessoas indisponíveis para o trabalho (66,8%) são mulheres.

Dados do IBGE revelam que, no segundo trimestre, existiam no país 28,4 milhões de pessoas cuja força de trabalho está subutilizada, sendo a maioria mulheres (55,3%). Elas também conformam a grande maioria no número de pessoas fora da força de trabalho (64,6%) ou um total de 41,8 milhões de mulheres, no período analisado. “Esses números denotam que persistem as marcantes disparidades na forma de inserção de mulheres e homens em idade ativa em suas diversas categorias”, completa Juliana de Paula Filleti.

Informalidade
A informalidade no mercado de trabalho aumentou no segundo trimestre com o crescimento do emprego sem carteira. Dentre as formas de ocupação que mais cresceram nesse período, para as mulheres, destacam-se aquelas oferecidas pelo setor público, sobretudo a de emprego sem carteira assinada (19,1%). O emprego sem o registro formal também se elevou no setor privado (4,9%).

Se somados esses empregos gerados sem carteira assinada ao crescimento do número de mulheres ocupadas por conta-própria (3,5%) – uma forma de ocupação que também é caracterizada pela intensa informalidade – e considerando o peso dessas categorias na estrutura de ocupações das mulheres, observa-se que mais de 70% do crescimento da ocupação nesse período foram oriundos dessas categorias. Além disso, também houve um aumento do trabalho doméstico sem carteira assinada, com uma contribuição de 13% do crescimento das mulheres ocupadas. Ao mesmo tempo, vale registrar queda da participação da categoria de empregadores (-1,5%), sendo essa mais acentuada para as mulheres (-4,1%).

“Constata-se, portanto, que embora tenha havido um crescimento do número de ocupações para as mulheres, com efeito positivo sobre a diminuição da taxa de desocupação, observou-se que um número importante dessas novas formas de trabalho encontrou-se à margem da legislação trabalhista, provocando um aumento da informalidade do mercado de trabalho brasileiro”, completa a pesquisadora e economista da Facamp, Daniela Goyareb.

A elevação do número de mulheres nesses tipos de ocupação reflete no crescimento da taxa de subocupação das mulheres no período e na persistência de alta taxa de subutilização da força de trabalho feminina.

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