A tragédia anunciada de Brumadinho, em Minas Gerais, causou muita revolta, tristeza e perplexidade. Uma barragem da mineradora Vale se rompeu na sexta-feira (25/01) atingindo a cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Consternado, o engenheiro e presidente da FerroFrente, José Manoel Ferreira Gonçalves, protocolizou, no sábado (26), junto à Procuradoria-Geral do Estado de Minas Gerais, notícia-crime contra o presidente da Vale, Fabio Schvartsman. Ele pede a instauração de Ação Penal por crime ambiental e homicídio doloso. Gonçalves quer a prisão preventiva do presidente da mineradora "em nome da ordem pública". Na tarde deste domingo, a Vale divulgou nova lista com os nomes de 305 funcionários desaparecidos. Até o fechamento desta edição o número de mortos era 58 e 192 pessoas resgatadas. Há 3 anos, rompimento de barragem de Mariana, da empresa Samarco (também da Vale) causou maior desastre ambiental do País e matou 19 pessoas.

600 BrumadinhoÁrea atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho - Foto: Agência Brasil

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"A sociedade exige com urgência a punição dos responsáveis dessa catástrofe. A ordem pública e o entendimento de que a lei deve ser cumprida demandam a aplicação da prisão preventiva contra o presidente da Vale", defendeu o engenheiro. Para o advogado do noticiante, Bruno Meirinho, "a notícia crime é um requerimento ao Mnistério Público Federal (MPF) para investigar e processar. Sabemos que a PGR já está atenta ao caso, e queremos contribuir".

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Em recente entrevista especial feita pela jornalista Vera Gasparetto para o Portogente, o então diretor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Cláudio Maretti, falou sobre a posição de alguns setores de que os licenciamentos ambientais no Brasil seriam um "entrave" ao desesnvolvimento econômico. "É muito dito que o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento. Alguns falam que é a ideologização do meio ambiente, radicalismo, xiitismo, alguns falam que é uma visão burocrática de órgãos que não estão preocupados com a produção", disse à época. 

Ao contrário, como salientou: "Não vejo essas características negativas nas unidades institucionais que tratam do meio ambiente no governo. Essa perspectiva é parcial, pois a defesa do meio ambiente poder ser numa área industrial, urbana, onde a qualidade de vida depende de ar limpo e vegetação, mas nem sempre são condições naturais, mas dependem do planejamento de infraestrutura."

Como prenúncio, Gonçalves criticou: "O que é inaceitável é que as atividades econômicas privatizem o lucro e deixem os custos da degradação ambiental para o resto da sociedade."

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