Murilo 01072015 boneco* Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo. Artigo publicado, originalmente, no site da entidade.

A relevância da ciência, da tecnologia, da inovação e da engenharia nem sempre se mostra evidente no dia a dia das pessoas. Embora estejam presentes em praticamente tudo que circunda a vida contemporânea nos centros urbanos ou mesmo no campo, os esforços para se chegar aos resultados produzidos nem sempre são visíveis. O momento crítico que vivemos – com a pandemia instalada do novo coronavírus – lança luz à importância literalmente vital dessas áreas.

Mais que isso, em meio à apreensão geral, é da pesquisa científica e do desenvolvimento tecnológico que vem a esperança de se poder superar o quanto antes o quadro atual. Multiplicam-se pelo País iniciativas para garantir atendimento necessário aos pacientes.

O Laboratório de Engenharia Pulmonar e Cardiovascular do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) busca fabricar ventiladores mecânicos, os equipamentos hospitalares que auxiliam a bombear ar para os pulmões e que são essenciais aos pacientes graves da Covid-19. O professor titular e chefe do Laboratório da Coppe/UFRJ, Jurandir Nadal, tem divulgado o projeto e a ótima ideia de que fabricantes de eletrodomésticos, por exemplo, redirecionem suas linhas de produção para esse esforço.

Na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) está em desenvolvimento o projeto de um ventilador pulmonar mecânico que promete ser bom e barato. O equipamento deve ser fabricado ao custo de R$ 1.000,00, enquanto um respirador convencional no mercado é vendido por cerca de R$ 15.000,00.

Também na USP, no Laboratório de Robótica Móvel do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), está sendo criado um robô autônomo cujo objetivo é auxiliar na distribuição de remédios e alimentos aos pacientes doentes em hospitais. A proposta visa diminuir a carga de trabalho dos profissionais da saúde e reduzir o contato entre esses e os pacientes.

Prevenção e cura

Também dos estudos científicos e da pesquisa séria vem a expectativa de se prevenir e/ou curar a Covid-19, por meio de vacina e medicamentos que tratem efetivamente a doença. Estuda-se em vários países a possibilidade de uso da hidroxicloroquina como fármaco para esses casos. No Brasil, com anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), está sendo pesquisado o uso da substância, associada à azitromicina, tanto em pacientes graves quanto para casos leves a moderados, o que evitaria a necessidade de uso de leitos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e equipamentos respiratórios. Os estudos em andamento ainda não têm qualquer conclusão quanto à eficácia do medicamento, mas o caminho correto está sendo seguido.

Há ainda pesquisa sobre o uso de plasma do sangue de pacientes recuperados da Covid-19. Os médicos esperam que, ao receber o plasma com os anticorpos, o doente tenha uma recuperação mais rápida.

Esses são alguns exemplos das muitas iniciativas que surgem diariamente para destacar e reforçar algumas premissas que devem ser essenciais ao País. Em primeiro lugar, investimento em pesquisa e desenvolvimento, nas mais diversas áreas, é ação estratégica pelo bem-estar da população e até pela segurança e soberania nacional. Precisamos ser capazes de criar e produzir aquilo que necessitamos, seja no dia a dia ou em momentos de crise. É essencial, portanto, a aliança entre institutos de pesquisa públicos e privados e a indústria nacional, que é o ente que pode realizar o que foi gerado na academia, transformando ideias e projetos em benefício real para a sociedade.

Entre as muitas lições que tiraremos dessa situação estará a de valorizar ainda muito mais e de forma efetiva a busca do conhecimento.

Eng. Murilo Pinheiro

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