José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Conselho de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

As aspirações e os esforços do agronegócio brasileiro por uma maior presença no mercado mundial encontraram eco na nova Administração Federal comandada pelo presidente Jair Bolsonaro. A criação de um Departamento do Agronegócio no Itamaraty, anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pode transformar-se em importante instrumento para esse objetivo. O departamento atuará ao lado do Ministério da Agricultura na conquista de novos mercados internacionais, orientando negociações comerciais em favor dos produtores brasileiros. Ao lado da APEX, as embaixadas promoverão os produtos agrícolas brasileiros ativa e sistematicamente.

O apoio da diplomacia é essencial para vencer a guerra comercial no plano internacional. É preciso reconhecer que o Itamaraty já vinha apoiando o agro com 14 adidos agrícolas lotados na Argentina, África do Sul, Arábia Saudita, China, Coréia do Sul, EUA, Japão, México, Índia, Rússia, Tailândia, União Europeia, Vietnã e OMC. Mais seis novos adidos estarão ocupando postos, ainda neste ano, no Canadá, Colômbia, Egito, Indonésia, Marrocos e União Europeia, que passa a contar com dois profissionais. Não há dúvidas de que esse reforço contribuirá para melhorar a participação do Brasil no mercado mundial que, hodiernamente, é de cerca de 7% de um total mundial de U$S 1,1 trilhão.

Crescer é nosso destino. As exportações do agronegócio verde-amarelo deverão superar a marca dos US$ 100 bilhões em 2019, com crescimento de 4% em relação ao ano passado. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, café e suco de laranja e o maior exportador de soja, carne bovina e carne de frango. Uma parcela de 30% de toda a produção do agronegócio brasileiro é vendida ao mercado externo. Ou seja, o mercado doméstico é e sempre será relevante para o destino da nossa produção agrícola e pecuária, absorvendo 70% do volume total.

Abrir mais espaços e conquistar novos mercados exigem intensas negociações, redução de tarifas, concessões, ampliação de acessos etc. No ano passado, foram abertos mercados para 24 produtos em 12 países. A economia catarinense e brasileira foi beneficiada com a abertura de carne suína para a Coreia do Sul, exportação de bovinos vivos, produtos apícolas, sêmen bovino, embriões bovinos, ovos férteis (aves) e pintos de 1 dia para Arábia Saudita, exportação de carne bovina e suína para Rússia e de bovinos vivos para Guatemala e Irã. O Marrocos permitiu a entrada de material genético de perus. Oportuno lembrar que Santa Catarina exporta terneiros vivos para Turquia desde 2016.

Essa evolução é impressionante, pois até o início da segunda metade do século passado o Brasil era importador de alimentos. Foi na década de 1990 que o setor primário da economia nacional começou a inverter os fluxos comerciais, com as exportações agropecuárias crescendo vertiginosamente, chegando a representar ¼ do PIB, resultado de impactos positivos da permanente agregação de tecnologias e contínua melhoria de processos produtivos.

O governo recém-instalado tem o mérito de reconhecer a importância das classes produtoras ligadas ao agro, a necessidade de reduzir o tamanho do Estado, a urgência em implementar reformas e a imperiosa oportunidade de diminuir a esmagadora carga tributária, além de atacar a burocracia. E acerta com a criação de um Departamento do Agronegócio no Itamaraty articulado com o Ministério da Agricultura, demonstrando que apoiar o agronegócio passa a ser uma política de Estado.

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