O aumento das tarifas de transportes públicos em 31 de novembro fez do grupo transportes o vilão da inflação em São Paulo em 2006. A alta do grupo foi de 7,25%, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), e o Índice de Preço ao Consumidor (IPC) subiu 2,55%. De acordo com Juarez Rizzieri, pesquisador da Fipe, 'se não fosse isso (o reajuste do transporte), a inflação de 2006 ficaria abaixo de 2%'.

Rizzieri ponderou que 'uma taxa de 2,55% é uma inflação abaixo da meta (referindo-se ao índice de 4,5%, definido pelo governo) e, portanto, um sucesso'. Em seguida, perguntou e respondeu: 'Mas e o custo disso? Foi o baixo crescimento.' O IPC de 2006 é o menor desde 1998, quando o índice registrou deflação de 1,79%.

A alta no grupo de transportes foi mais significativa no mês de dezembro (4,73%); com isso, a inflação desse mês, de 1,04%, foi a maior desde fevereiro de 2003 (1,61%) e concentrou 40% da inflação do ano.

O segundo grupo com maior reajuste médio de preços no ano foi saúde, que acumulou elevação de 6,36%, com destaque para os contratos de assistência médica (8,71%). O grupo educação subiu 5,45% no ano. 'As matrículas e mensalidades escolares têm seus preços reajustados com base na inflação do ano anterior', explicou Rizzieri. O grupo despesas pessoais teve alta de 3,36%.

PARA BAIXO

A grande contribuição para a inflação ter sido baixa em 2006 veio do grupo alimentação, com alta de 0,06%. 'Grande parte disso foi ocasionada pela boa oferta de produtos no ano passado', disse Rizzieri.

No acumulado do ano passado, o grupo alimentação apresentou alta de 0,06%, a menor desde 2000, quando teve recuo de 0,15%. A maior queda de preços foi vista nos produtos in natura (-5,48%), entre eles, frutas, legumes, tubérculos, verduras e ovos. Os industrializados também apresentaram deflação, de 1,16%. Já os semi-elaborados (carnes bovinas, suínas, de aves, pescados, entre outros) registraram alta média de 2,55%. Alimentação fora do domicílio foi o componente de maior alta do grupo em 2006: 6,49%.

No caso de vestuário, a inflação acumulada de 2006 foi de 0,25%. De acordo com Rizzieri, o grupo teve pouco espaço para aumento de preços devido à concorrência do setor têxtil internacional.

Habitação subiu 1%. Dentre os seus componentes, o gás canalizado foi o que apresentou a maior elevação no ano passado, de 7,51%. E apresentaram queda expressiva dentro desse grupo todos os equipamentos relacionados à imagem e som (-14,08%), eletroeletrônicos (-4,95%) e de informática e telefonia (-28,50%).

PARA 2007

Para este ano, Rizzieri prevê que a inflação na capital paulista 'seguramente será maior do que a do ano passado'. Para ele, o IPC-Fipe deverá acumular uma taxa de 3,5%. Mas não descartou a possibilidade de o índice fechar perto de 3,7%. Os motivos são altas previstas para algumas commodities, como trigo e milho, e tarifas de energia elétrica e telefone fixo.

Ele citou também o aumento da renda, em especial do salário mínimo, como fator de pressão: 'Com a demanda maior e a expectativa de continuidade da queda dos juros, os preços podem sofrer pressão.'
A inflação deste mês está estimada de 0,30% a 0,50%.

Fonte: O Estado de S.Paulo - 05 JAN 07

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