Joaquim Marques Lisboa esteve presente em diversas lutas armadas que aconteceram no território nacional ao longo do século XIX. Exerceu a função de Almirante da Marinha do Brasil, contribuindo para manutenção da ordem no país durante a instabilidade civil que ocorreu na época do Império. Pelo seu nome de batismo, a maioria da população brasileira não o conhece. No entanto, o Marquês de Tamandaré, alcunha pelo qual ficou conhecido, é personagem importante da história brasileira. Mais: é o Patrono da Marinha de Guerra do Brasil.

 

O Marquês de Tamandaré nasceu no dia 13 de dezembro de 1807, em Rio Grande/RS, cidade portuária que mais movimenta cargas na região Sul do país. Como militar, Tamandaré esteve envolvido na repressão a diversas revoltas regionais que aconteceram durante o período regencial, entre elas a Farroupilha, a Balaiada e a Praieira. Participou, ainda, da Confederação do Equador, movimento revolucionário que tinha como objetivo reagir contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I.

 

O título de Marquês de Tamandaré surgiu graças aos serviços prestados à nação. Antes de alcançar o status de Marquês, foi nomeado como Barão, Visconde e Conde de Tamandaré. Uma de suas tarefas mais árduas foi comandar a força naval da Marinha do Brasil, a maior marinha da América Latina, em operação na bacia do Rio da Prata, durante a explosão da Guerra do Paraguai.

 

Quando criança, o jovem Joaquim aprendeu as técnicas de navegação com seu pai, Francisco Marques Lisboa, que na época era patrão-mór do Porto de Rio Grande. Aos 15 anos, ingressou na Marinha como voluntário da Academia Imperial e por lá viveu grande parte de sua vida. Retirou-se da instituição pouco antes de falecer, exonerando-se como Ministro do Superior Tribunal Militar. A morte do Marquês de Tamandaré data de 20 de março de 1897.

 

De acordo com o Serviço de Relações Públicas da Marinha do Brasil, o Marquês destacou-se, quando jovem, como brilhante tático e, mais tarde, como notável estrategista. “Ponderável parcela da projeção internacional obtida pela Marinha e pelo Brasil deve-se a seu talento e a sua marcante dedicação ao bem servir da pátria”. Em homenagem, o dia de seu nascimento – 13 de dezembro – é considerado o Dia do Marinheiro em território nacional.

Glórias

Pouco tempo após se matricular na Academia da Marinha, em 1824, Joaquim Marques foi chamado pelo Almirante Cóchrane para servir a Esquadra na explosão da revolução pernambucana. Ele não tinha completado os estudos, mas mesmo assim acabou sendo convocado já que o número de oficiais brasileiros era escasso. Foi elevado ao posto de segundo-tenente graças à sua bravura e eficiência na batalha.

Depois de muitas esforços despendidos em lutas espalhadas pelo Brasil, Joaquim recebeu o título de o título de Barão de Tamandaré em março de 1860, aos 52 anos.

Com a declaração de guerra feita pela alta cúpula militar contra o ditador Lopez, do Paraguai, Tamandaré passou a comandar as operações da esquadra brasileira em Montevidéu. Ele permaneceu na capital uruguaia entre os anos de 1865 e 1867. Retornou ao Rio de Janeiro após finalizar suas funções e foi, finalmente, promovido ao posto de almirante após o término da guerra com o Paraguai.

Ainda de acordo com informações da Marinha, não foi só contra os inimigos que o Almirante demonstrou arrojo e coragem física. “Foi, também, em vários outros episódios, quando vidas se achavam em risco, e ele, arriscando a própria vida, prestou socorro a pessoas e navios, nacionais e estrangeiros, que se encontravam em situações de perigo. Dentre os que foram socorridos por Tamandaré, em mais uma demonstração da grandeza de seu caráter, podemos citar o Imperador D. Pedro II e o então Primeiro-Tenente Francisco Manuel Barroso, futuro Barão do Amazonas e herói de Riachuelo.”

 

Ao morrer, em 20 de março de 1897, Tamandaré deixou um testamento que até hoje emociona os integrantes da Marinha que o lêem. Nele expressou o seu último pedido:

 

“Como homenagem à Marinha, minha dileta carreira, em que tive a fortuna de servir à minha Pátria e prestar alguns serviços à humanidade, peço que sobre a pedra que cobrir minha sepultura se escreva: Aqui jaz o Velho Marinheiro”.

 

Por não ter sido encontrado, à época, esse precioso documento, o último desejo do Patrono da Marinha só foi atendido em 17 de dezembro de 1994. Nessa data, os seus restos mortais foram depositados no panteão erguido em sua homenagem, na cidade em que nasceu, Rio Grande, após terem sido transportados do Rio de Janeiro, pela Fragata “Niterói”. A fragata tem o mesmo nome daquele navio em que Tamandaré embarcou, pela primeira vez, como voluntário da Armada.

Nome de Município

Outra homenagem prestada ao batalhador Joaquim Marques Lisboa foi a denominação de Almirante Tamandaré a um município da região dos campos de Curitiba. A cidade, que tem a extração de minério como ponto forte na economia local, começou como um povoado. Em 1875 elevado à Freguesia com a denominação de Pacutuba e somente em 1947 foi designado como município de forma definitiva. A mudança de nome para Almirante Tamandaré ocorreu em 1956.

 

Busto

Um ano depois, em 1957, Tamandaré foi homenageado e ganhou um busto em Santos, cidade do litoral paulista reconhecida por suas características portuárias e marítimas. O monumento é fundido em bronze sobre granito e encontra-se no famoso jardim da praia de Santos, de frente para o mar.

De acordo com documentos históricos cedidos pelo historiador Waldir Rueda, a origem do busto pode ser identificada pelos seguintes caracteres vincados no monumento: “A.M.R.J.”, que significa Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro. Na escultura é possível encontrar também as seguintes informações: “Joaquim Marques Lisboa. Almirante Marquês de Tamandaré. A cidade de Santos e a Marinha. 13/12/1957”.

 

Ainda de acordo com dados de Waldir Rueda, a Lei Municipal nº 647 de 16.2.1921 deu o nome do Almirante a uma via pública de Santos. A rua fica no Macuco, tradicional bairro do município.


Em cerca de 75 anos de carreira, Tamandaré foi admirado não apenas por seus feitos navais, mas pelo seu caráter firme, pelo devotamento à profissão e pela probidade em seus atos públicos e particulares. Por isso, recebe tantas homenagens, nos mais diferentes locais do Brasil, imortalizando-o na história desse país.

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