Falar de mais um capitulo da vida de Chico de Paula é sempre uma grande alegria. Homem de conduta guerreira e visão empreendedora, criou seus 22 filhos com muita sapiência.

 

Conta seu neto Marcos Ferreira da Rosa que ela era idolatrado pelos filhos. Sempre que chegava em casa, exausto do trabalho árduo no Porto de Santos, eles penduravam-se no pai como forma de demonstrar carinho.

 

Maria Isabel, sua esposa, era de personalidade forte. Era ela quem ditava as ordens. O marido Chico, muito simples, sem educação, conseguiu formar os filhos e ainda cuidar das meninas de perto. Ensinava a elas inglês, francês, música. Precisou correr atrás de todo esse conhecimento para transmitir às filhas. Um de seus filhos, Abrahão, chegou a estudar na Alemanha e formar-se. Chico de Paula teve a experiência de perder seis de seus filhos ainda muito jovens.

 

Marcos Ferreira diz que a sua mãe Virgínia Cândida Ribeiro era uma pessoa espetacular. Lia os jornais diariamente, sempre atualizada. Com as irmãs falava todos os dias. Era rotina entre elas telefonarem-se por diversas vezes ao longo do dia.

 

Sendo oriundo de uma família de 15 irmãos, Francisco de Paula Ribeiro cresceu vendo os mais velhos cuidarem dos caçulas. Prevalecia a célula da família. 

 

Foi criando os filhos enquanto outros nasciam, levava a sociedade com Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée. Dez anos depois da construção do primeiro trecho de cais, em 1902, os negócios continuavam caminhando muito bem. (leia a carta escrita por Cândido Gaffrée a Francisco Ribeiro no ano de 1902)

 

Por motivos ainda não descobertos, Chico de Paula deslocou-se até o Rio de Janeiro. A essa altura, sua filha Branca namorava o filho de seu sócio e cunhado, Eduardo Palassim Guinle. Durante três anos, de 1902 a 1905 - ano em que sua filha casara com Eduardo Guinle – viveu na capital carioca. Leia, a seguir, a carta original que Chico de Paula escreveu à filha Branca na época de seu casamento com Eduardo Guinle (parte 1 e parte 2).



Heloisa, Juliana, Evangelina, Celina, Virginia, Mariazinha e Sinhá

 

As últimas três filhas, Celina, Evangelina e Heloisa, nasceram lá neste período. Ainda hoje, vivem quatro filhos de Celina Ribeiro no Rio de Janeiro. Já os de Evangelina vivem em São Paulo. A partir de 1905, Chico mudou-se para São Paulo onde viveu até o fim de sua vida. 

Marcos Ferreira da Rosa conta que em 1905 houve um momento crítico entre os sócios Francisco de Paula, Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée. Um desentendimento que ocasionou um mal-estar entre os filhos.

 

“Na minha cabeça, na hora em que houve um desentendimento comercial entre eles, isso afetou de alguma maneira a família. E na hora em que os pais se desentendem reflete na geração seguinte. A minha suposição é que as Docas começaram a ter uma vida mais ativa, no início do século passado”, fala.

 

A pergunta que fica para refletir é “por qual motivo depois de três anos no Rio de Janeiro Francisco de Paula veio para São Paulo?

 

Chico e sua filha Branca

Foi neste período, segundo seu neto, que Chico de Paula deixou a sociedade. “Supõe-se que foi nessa época, já que depois de 1905 o nome do Francisco de Paula sumiu. E ele se mudou para São Paulo”, conta.

 

Passados 10 anos, seu filho Samuel casava com Heloisa Guinle. A data foi 06 de julho de 1915. Sete dias depois do casamento de seu filho com uma Guinle, Francisco de Paula Ribeiro falecia vítima de um câncer no fígado.

 

“Você sabe o que significa câncer no fígado”, pergunta seu neto. E olhando firmemente, convicto, responde: “Amargura, tristeza”. “Deve ter se amargurado de ver outro filho se casando com mais um Guinle”, conclui.

 

Do avô, Marcos Ferreira herdou algo nobre. “A melhor coisa que eu herdei dele foi caráter, moral. Coisas que não tem nada a ver com dinheiro”, fala emocionado.

 

Fotos: http://franciscodepaula.sites.uol.com.br


Leia também:
* Um visionário chamado Chico de Paula

Pin It
0
0
0
s2smodern
powered by social2s