A construção de uma família sempre foi o sonho de Jocelma Santos Dias Gregório. Nascida em Guarujá, litoral de São Paulo, perdeu a mãe aos 12 anos e ainda adolescente começou a trabalhar para ajudar no sustento do lar. Enquanto muitas meninas de sua idade ainda brincavam, ela já tinha a responsabilidade de um adulto. Lavou roupa para fora, trabalhou em pizzaria.

 

Viveu no bairro da Enseada com os cinco irmãos até os 18 anos quando se mudou para o Perequê, bairro humilde da cidade. Nesta época, fez uma prova e foi transferida do Fórum de Santos, onde até então trabalhava como menor colaboradora, para o Fórum de Guarujá. Hoje, aos 35 anos, Jocelma atua no departamento pessoal do Fórum.

 

O seu primeiro casamento de oito anos lhe rendeu um filho, hoje com 14 anos de idade. Recebeu ainda mais. Conheceu a religião evangélica por meio da família de seu primeiro marido. O casamento terminou, mas o compromisso de ter um lar vigiado por Deus permanecia forte em sua mente.

 

Certo dia, através de sua ex-cunhada, Jocelma conheceu Hélio César Gregório, recém-separado. Ambos viviam a mesma dor da separação. Ela já fortalecida pela Palavra de Deus ofereceu apoio a ele, muito fragilizado com o que vivia. O namoro durou dois anos. Neste período, Hélio freqüentava a igreja com ela, a acompanhava em todas as atividades da comunidade evangélica.

 

O sonho de construir uma família estável num lar evangélico permanecia inabalável em seu coração. "A minha meta era trazê-lo para Jesus", conta. O seu objetivo foi alcançado depois do casamento, quando Hélio aceitou Jesus e se converteu.

 

Jocelma conta que o marido sempre foi  uma pessoa muito carinhosa, pacata e dedicada à família. "Ia do serviço para casa, da casa para o serviço”. O seu lar era realmente abençoado. Os dois trabalhavam muito, tanto ela no Fórum e em casa, quanto ele no Porto, como trabalhador de bloco.

 

Quando trabalhava à noite, se encontravam somente quando o dia amanhecia. Ele trazia o pão e tomavam o café da manhã juntos. Ela seguia para o trabalho e ele para o descanso.

 

Os finais de semana eram dedicados ao lazer e à igreja. As horas vagas eram preenchidas com churrascadas, idas ao cinema, pizzaria. Como ela é responsável pelo departamento social da igreja, eventos não faltavam. A vida deles era de muita festa e felicidade.

 

Ficaram casados por quatro anos e quatro meses até o dia "em que Deus o levou embora", diz. Foi na manhã de 29 de março deste ano, quando recebeu a notícia de que o seu marido, aos 36 anos, havia sofrido um acidente no Porto de Santos.

 

Ficou extremamente abalada com o ocorrido. Desesperada e muito nervosa, foi amparada pela família, que aos poucos chegava em sua casa. "Foi o momento mais difícil da minha vida. Tive força para falar da Palavra a minha família que estava inconformada e revoltada com o que tinha acontecido. Eles perguntavam: como Deus tira a vida dele, um homem bom, e deixa os maus soltos?", lembra Jocelma.

 

"Eu disse que Deus sabia o que estava fazendo que a vontade do Senhor era essa. Tinha que se cumprir", conta. "O Senhor não dá um fardo que a gente não possa carregar". Nos primeiros dias, a força das irmãs evangélicas a ajudou muito. Cinco igrejas faziam orações por ela e pela família dele.

 

Depois de quase sete meses do falecimento de seu marido, Jocelma ainda usa a aliança de casamento. "A aliança significa os quatro anos que vivi com o César. Significa união, lembrança, reconhecimento de ter sido casada", fala emocionada.

 

Para superar o sofrimento da perda, Jocelma ora. Diariamente, ao acordar, agradece e pede proteção para mais um dia. Freqüenta a igreja três vezes por semana. Para ela, ir à igreja é o que a faz seguir em frente sem sofrimento. 

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