O Governo do Estado da Bahia teve provas, no dia 7 último, de que o Porto Sul até pode sair do papel, mas um grupo de opositores fará muito barulho contra o empreendimento. Cerca de 500 pessoas protestaram nas ruas e praças da cidade de Ilhéus contra o projeto divulgado há um ano pela Secretaria Estadual de Indústria, Comércio e Mineração e que deve facilitar o escoamento da produção de minério, álcool e açúcar. A maioria dos manifestantes estava vestida com uma camiseta preta, na qual os dizeres “Porto Sul Não” vinham acompanhados de espinhas de um peixe, simbolizando o risco de extinção de comunidades de pescadores locais.

 

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Manifestantes não querem ver novas instalações portuárias na região

 

O medo do grupo é que o Porto prejudique o meio ambiente. O fato é que, previsto para entrar em operação no final de 2011, o Porto Sul gera polêmica desde o princípio. Trata-se de uma ideia do governo baiano que daria um novo rumo à região de Ilhéus. Tradicionalmente turística, ela passaria a ser usada como principal rota para a exportação de minério e outras mercadorias produzidas no Interior da Bahia. Até aí, nenhum problema. Os ambientalistas questionam é a localização do Porto Sul: em uma região apontada como Área de Preservação Ambiental (APA).

 

“Contrastando com as últimas notícias relacionadas ao segmento turístico e indo contra os números da Secretaria de Turismo, o Governo do Estado entende que o novo modelo de desenvolvimento para o Sul é a indústria, com a instalação de porto, aeroporto, ferrovia e siderúrgica, além de outras indústrias, no meio de uma área completamente natural. Não concordamos com isso, pois o turismo e a hotelaria atraem US$ 5,5 bilhões ao nosso Estado. Qual a necessidade de porto aqui?”, indaga a presidente da ONG Ação Ilhéus, Maria do Socorro Mendonça.


Reportagem televisiva produzida na Bahia apresenta
detalhes
da área onde se planeja implantar o Porto Sul

Além da vivência diária na região e do medo estampado em parte da população, os opositores baseiam suas reclamações em um relatório preliminar elaborado pelo Laboratório Interdisciplinar do Meio Ambiente (Lima), departamento ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No texto, foram descritos resultados alarmantes de impactos socioambientais que podem surgir com a construção do Porto Sul, como o desaparecimento de comunidades pesqueiras e prejuízos ao turismo em cinco municípios da Bahia: Ilhéus, Uruçuca, Itacaré, Marau e Camamu.

 

“O relatório aponta que, se ficar do jeito que está, o Porto causará redução da vegetação nativa, eliminação de extensas áreas verdes naturais florestadas, aumento do grau de isolamento das mais extensas e bem conservadas áreas naturais, acentuado desmatamento, com crescimento proporcional da possibilidade de extinção de espécies, aumento na concentração de contaminantes, redução da capacidade de reposição dos estoques pesqueiros de alto valor comercial e alteração da qualidade ambiental”, reclama Maria do Socorro.

 

O estado da Bahia também vive momento conturbado em relação a seus tradicionais e já instalados portos. A Companhia Docas local (Codeba) está há meses sem presidente e vivencia uma batalha por diferentes esferas do poder. Enquanto isso, os portos de Salvador, Aratu e da própria Ilhéus agonizam sem investimentos adequados.

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