Troca de governo e entra em cena aquela velha dança das cadeiras, nos diz a jornalista Andrea Margon. Mas, como se diz no jargão futebolístico, “para que mexer em time que está ganhando”? É com essa ideia que os trabalhadores portuários do Espírito Santo estão mobilizados. Eles querem evitar uma mudança, unilateral, na diretoria da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Ventos sombrios lançaram esta semana uma lista, com três nomes, de possíveis substitutos da atual gestão. A Intersindical da Orla Portuária do Espírito Santo avisa que se a carruagem não mudar seu curso, haverá paralisação nos portos do estado. Quem nos traz a informação é a jornalista Andréa Margon, diretamente de Vitória.

A reação dos trabalhadores portuários já começou com encontros com autoridades, como o prefeito de Vitória (João Coser) e a senadora Ana Rita. Já foi solicitada, inclusive, audiência com o governador do estado, Renato Casagrande.

José Adilson Pereira, presidente da Intersindical capixaba e vice-presidente da Conttmaf, disse que a Codesa, que antes da atual gestão de Angelo Baptista apresentava prejuízo constante, passou a dar lucro. “A Codesa está agressiva e conquistando cargas. O resultado dos últimos anos tem sido positivo. Mas agora que a empresa está boa especulam a troca da diretoria. É o regulado tomando conta do regulador. Isso é o desmonte do trabalho realizado”.

Essa última observação faz referência a possível indicação de Osmar Rebelo pelo PSB (partido do governador Casagrande) para a presidência da Codesa. Rebelo foi, por anos, funcionário da Portocel, terminal portuário da antiga Aracruz Celulose, hoje Fibria.

Outra preocupação dos trabalhadores é com o destino do porto de águas profundas. A proposta de ser instalado em Ponta de Tubarão não é bem aceita pelo empresariado capixaba que defende outras duas opções: Ubu (Anchieta) ou Barra do Riacho (Aracruz), ao lado de Portocel.

Para Luiz Fernando Barbosa Santos, portuário conferente e assessor técnico de Intersindical, “a Codesa provou, nesses últimos anos, que uma empresa pública pode ser eficiente e rentável”.

Josué king Ferreira, presidente do Sindicato dos Arrumadores do Espírito Santo e membro do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), disse que a Docas capixaba nunca foi tão transparente como agora e propôs paralisar as atividades portuárias em reação a essa possível mudança. A mesmo opinião manifestou o presidente do Sindicato dos Amarradores, Adair Coelho.

O presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Eduardo Guterra, falou que essa possível mudança na diretoria da Codesa será a primeira a ser promovida no País. Guterra defende uma política de gestão profissional. Ele falou que hoje a empresa conta com profissionais capacitados e está realizando obras de ampliação. Para ele, “querem que a gestão volte a ser política”.

Roberto Hernandes, presidente do Sindicato Unificado da Orla Portuária Espírito Santo, elogiou o atual presidente da Codesa. “Angelo Baptista é um técnico e melhorou bastante a empresa. A movimentação e armazenagem aumentaram absurdamente”.

O mundo portuário nacional pergunta ao ministro dos Portos, Leônidas Cristino: a Secretaria de Portos vai mudar o perfil da Codesa de ter uma gestão técnica e passar a ter uma gestão político partidária?

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website

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