Quarta, 02 Abril 2025

O lema dos poderosos parecia ser "Façam o que eu digo, não o que eu faço". Mudou para "Esqueçam tudo que eu disse, agora vou fazer ao contrário". Nessa conversa de doidos, em que alguém ainda teima em achar lógica ou diretriz, o subtema desta semana é – novamente – um tarifaço global.

Que talvez atinja mais, por ordem de gravidade: os eleitores do indescritível dirigente, o restante da população de seu país, as nações tradicionalmente amigas, os países parceiros de negócios, os indiferentes e, no extremo desta sequência, os supostamente inimigos, Rússia e China. Logo estes, há anos preparados para o aquecimento da Guerra Fria: talvez sejam os menos atingidos...

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Se o objetivo é bagunçar a economia mundial e tornar a nação governada um grande buraco sem fundo, está sendo alcançado. Imigração era um detalhe para esquentar o clima, até serem gestadas as novas sobretaxas, que começaram com "razões" e alvos específicos, sendo ampliadas até as máscaras caírem: a intenção é taxar o mundo, já dispensadas as vãs desculpas e explicações.

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O planeta continua girando e as demais nações não ficarão quietas. Até porque, se todas são atingidas inevitavelmente pelo tarifaço, a única defesa é unirem forças, articulando reações conjuntas contra o país “agressor”. Sabendo-se que o processo apenas começou, evidencia-se não adiantar que algum espertinho bajule o sujeito para obter vantagens individuais, “o tal pragmatismo”. O caminho será unirem-se as vítimas. Inviável a reação armada? Criem-se taxas “recíprocas”, isolando-se comercialmente o novo imperador.

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Wall Street registra em seus indicadores declinantes o estrangulamento de uma economia que abusou da globalização e agora não tem como revertê-la. E nem quer: recambiar fábricas levadas para a China não é só encaixotar e colocar em navios, é preciso mover também todas as demais empresas componentes do processo produtivo – muitas delas são chinesas de origem.

Um parafusinho de celular da Apple demanda uma tecnologia de fabricação que os EUA já não conseguem sequer imitar - pois lhes falta esse 'know-how'! Vão encher os EUA de técnicos em áreas sensíveis e operários chineses treinados? Ser ou não ser, eis a questão.

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Outra frase de Shakespeare, sobre "algo de podre" nos leva ao Reino da Dinamarca, possuidor da Groenlândia, que os EUA nem querem negociar, simplesmente preferem... anexar. Como se os países estivessem expostos nas prateleiras do mercado, é só pegar e nem precisa pagar.

Para 'pegar' a Groenlândia, os EUA precisam tornar inimiga a Nato/Otan, da qual ainda fazem parte. E jogar no lixo da História a honra que empenharam em tantos outros acordos e tratados.

Isso não parece problema para aquele governante, que desconhece uma estratégia básica de guerra: não abrir frentes simultâneas de batalha. Para ele, prestes a embarcar para Marte, que venha nova guerra mundial, EUA versus 'resto' do mundo. Elos seculares de confiança rompidos não serão reatados facilmente, mesmo com troca de governantes – as consequências serão profundas/duradouras.

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Isto nos leva ao comércio marítimo mundial: como ficará? Tanto quanto os negociantes, armadores e demais integrantes desse encadeamento logístico precisam atentar à direção dos ventos da reorganização político/econômica.

Sinais existem para quem os entende. Europa, Ásia e América Latina, salvo as vozes discordantes costumeiras, estão descobrindo que, juntas, formariam uma potência econômica e política que faria o leão mais arrogante miar baixinho.

Alguns movimentos poderão ser muito rápidos, mas o jogo necessariamente será lento, pois os jogadores precisam se preparar, sentindo o ambiente. O clima está esquentando, não só no sentido figurado.

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Wind Direction Indicator (WDI) é o nome pomposo de uma peça simples de fazer, que gira num mastro, indicando a direção do vento que atravessa o cone de pano e se estica progressivamente, permitindo precisar visualmente a velocidade (pelas estrias desse cone, 5,5 km/h por estria). Biruta, em bom português. Usada em aeroportos e... campos de golfe.

Contra os 'birutas' de plantão, o WDI será muito útil nestes tempos. Quem souber usá-lo para se posicionar melhor e mais rápido será o ganhador desse jogo louco.

000WDI (em inglês parece mais profissional...)
Foto: Joanjoc-Wikipédia/espanhol

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