Chamada também de ferrovia da corrupção e ainda inacabada, depois de mais de trinta anos, a construção da ferrovia Norte-Sul continua ruidosa. Nesta quinta-feira (28/03), acontece um leilão judicializado e que promete bastante barulho, por conta do preço mínimo, muito mais baixo que o do seu Tramo Centro Sul, concessão à Valec em 2017. Um cenário de desconfiança que expõe de forma inequívoca a ineficácia da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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Para a diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a ferrovia Norte-Sul é o principal projeto de integração da região Sul, por introduzir uma nova matriz de transporte que favorecerá a logística da produção regional. Já para a região do Arco-Norte do País, a ferrovia irá impulsionar a saída de grãos e outros produtos pelos portos da região Norte para a exportação a outros países. Trata-se, sem sombra de dúvida, de um projeto que vai construir novos horizontes logísticos e produtivos, com reflexos virtuosos no desenvolvimento nacional.

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Para o ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, que afirma “ter tido uma discussão muito positiva com o Ministério Público, não há motivos para acreditar que não vai acontecer o leilão”. A conferir. Trata-se de uma longa novela da construção de uma ferrovia de lances inconcebíveis, desde a compra de toneladas de trilhos fora de especificação e tantas outras ações criminosas mais. Egresso do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), o ministro conhece bem as baixas qualidade e a produtividade desse projeto. Apesar de tudo, é preciso construir a ferrovia.

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Daqui para frente será imperativo adotar padrões de governança que promovam, de forma rigorosa, mudança organizacional como um processo contínuo. Ações que resultem em custos mais baixos, aumento de receitas e aprimoramento dos serviços oferecidos aos clientes. Ou seja, criar uma ferrovia autossustentável e de baixo custo, administrada com sólidos princípios comerciais e ágil processo decisório. Historicamente e na atual conjuntura, a Vale consegue corresponder à confiança que se exige para materializar essa nova ferrovia?

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Tal empreendimento é uma obra projetada para implementar logísticas de carga e intermodalidades, um eixo Norte-Sul integrador de diversas malhas ferroviárias e redes modais de transporte. Concebida e iniciada na ditadura militar, chega ao seu destino final no governo democrático militar. Sua conclusão constituirá um marco histórico exitoso da política ferroviária do Brasil.

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*O Dia a Dia é o editorial do Portogente publicado de segunda a sábado e expressa fielmente a posição coletiva dos responsáveis pela redação do website