A superficialidade dos debates no primeiro turno das eleições presidenciais deverá ganhar profundidade no segundo turno, entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Agora com mais foco e maior visibilidade, o confronto das propostas vai possibilitar a sociedade fazer escolha mais abalizada do candidato com melhores atributos para liderar a superação da crise que assola o Brasil. Sairá vitorioso aquele que tiver um programa de governo factível e com metas de desenvolvimento com justiça.

Haddad

Em razão das redes sociais, a inédita e intensa participação popular deve se repetir nesta outra fase, fortalecendo ainda mais a democracia brasileira. Refletindo a ruptura da relação entre governantes e governados, raiva do cidadão que pensa no País foi detectada pelas pesquisas como o sentimento mais forte do eleitor. Entretanto, 69% desses mesmos cidadãos acham a democracia a melhor forma de governo.

Será em torno dos interesses maiores do País que deverão ser formados alianças e apoios na construção de novos caminhos, que superem a crise econômica, política, ética e social. Esses caminhos devem ser um chamamento que seduza cada um de nós a assumir a responsabilidade de nossas vidas, das de nossos filhos e de nossa humanidade. Pois é preciso haver um gesto de cidadania coletivo, sem intermediários, na prática de cada dia, em todas as dimensões da nossa existência, como nos sugere o pensador Manuel Castells. Objetivamente, um processo mediado por redes tecnológicas que introduzam novas relações dos indivíduos e da sociedade, para viabilizar o Brasil que queremos.

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Neste turno entre os dois finalistas será possível perceber a linha de desenvolvimento proposto pelo candidato. O liberalismo do guru de Bolsonaro, Paulo Guedes, não tem aceitação satisfatória nos meios militares. Socialmente transparece uma transição de impacto desprovida de sensibilidade política, na qual os objetivos humanos cedem a frente da cena às preocupações rentistas. Fernando Haddad apresenta-se como continuidade de uma proposta exitosa que fez o crescimento da era FHC de 2,4% contra 3,5% do mundo, a marca do governo Lula de 4,1% praticamente igualou a mundial de 4,2%. Entretanto, vai precisar mostrar um PT revisado para ultrapassar a barreira que o separa do primeiro colocado.

A estrutura partidária de Haddad é uma vantagem competitiva na articulação da coalizão com o Congresso. Os vínculos ideológicos possibilitam convergências sem vínculos pessoais. Diferente da negociação com bancadas associadas a costumes e interesses, como se verifica nos apoios a Bolsonaro. Decerto medidas amargas deverão ser tomadas pelo presidente eleito, principalmente para equilibrar as contas públicas. Ao mesmo tempo em que haverá de promover corte de despesas, será necessário atrair investimentos para reverter o atraso na infraestrutura. O sucesso das duas intenções vai depender de articular o voto do Congresso.

Pelo que se viu no primeiro turno, nos próximos vinte dias de campanha haverá um debate intenso, principalmente no bojo das redes sócias da Internet. Espera-se que esse desenvolvimento tecnológico da sociabilidade seja útil para o entendimento e o tratamento adequado do subdesenvolvimento político e ético que enraivece o brasileiro.

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