Alienação parental é conceituada pela lei 12.318/10, como ato de interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

Grande parte dos casos de alienação parental são detectadas após um período de separação ou o próprio divórcio do casal, principalmente os litigiosos.

Esse não é um fato exatamente surpreendente, afinal toda separação costuma ser difícil para todos os membros da família, inclusive para os filhos.

A separação é um processo longo que começa antes do divórcio e não termina com a assinatura dos papéis.

O processo de Separação

Começa com desgastes gradativos do relacionamento, dificuldades cada vez maiores de se conversar, embates constantes por motivos diversos, divergência de opiniões constante, comportamentos de sabotagem, comunicação agressiva, desinteresse sexual, afastamento ou isolamento psicológico, acusações, sentimentos de menos-valia, falta de reconhecimento do parceiro e uma imensa carga de frustração dos dois lados.

O divórcio, mesmo pacífico, é também desgastante. Separar os bens, mudar-se de residência, definir guarda dos filhos e toda a modificação da rotina são complicadas de assimilar.

E mesmo depois de tudo definido e a papelada assinada, a nova configuração da vida se prova bem mais complexa de lidar do que inicialmente imaginado.

Tudo isso mexe muito com os sentimentos do casal. Sentimentos que tem em relação à si, um para o outro e também com seus filhos.

Essa confusão muitas vezes é acompanhada de sentimentos de que a pessoa foi traída, mal cuidada, que o parceiro ou parceira deveria ter feito mais e, o mais perigoso de todos, que o outro foi responsável pela separação do casal.

O Perigo do Bode Expiatório

O maior perigo em todo processo de separação é a culpabilidade de um parceiro no processo de separação. A ideia de que apenas uma das partes foi responsável pela quebra da relação.

O que mais se ouve é isso, principalmente quando há algum tipo de evento crítico que pode ser determinado como “o motivo”, a descoberta de uma traição, por exemplo.

Mas a relação é construída pelos dois. Nenhum relacionamento amoroso realmente termina apenas pela ação de uma das partes.

O problema é que há uma tendência de maximizar os grandes eventos e dirimir aqueles que parecem simples.

Quando há uma traição, por exemplo, um dos conjugues se envolve amorosa ou sexualmente com outra pessoa. Essa passa a ser a alegação que deu fim à relação e a parte traída passa a ser a vítima enquanto quem traiu passa a ser o culpado.

Só que esse tipo de análise rasa não permite um simples questionamento: por que o cônjuge buscou um relacionamento paralelo? Quais foram os motivos que o levaram a isso? que tipos de sentimentos ele nutria? Que tipo de dificuldades estava atravessando? O que tentou fazer para contornar esses problemas? De que forma a outra parte contribuiu (voluntária e involuntariamente) para o fato? Que tipo de desgastes já se faziam presente antes do ocorrido?

A investigação profunda vai demonstrar que não foi a traição em si, mas os eventos e as dificuldades que já estavam presente no relacionamento que colaborou para este tipo de acontecimento.

Isso é responsabilização. As duas partes são responsáveis pelo bom andamento da relação e devem agir constantemente para a manutenção da boa convivência e harmonização da estrutura familiar.

Os Filhos e a Alienação Parental Pós-Divórcio

Da mesma forma que aceitamos facilmente esse tipo de análise distorcida do fim das relações amorosas, também o fazemos em relação a postura dos pais quanto aos filhos.

Quando não há responsabilização das duas partes pelo término do relacionamento, toda a carga de frustração é descarregada no outro, criando uma situação de vitimização onde uma parte agiu com malícia e a outra foi injustiçada. Isso é terreno fértil para a alienação parental.

Com a grande facilidade para divorciar atualmente, o número de divórcios aumentaram e isso traz novos problemas. As frustrações contra o parceiro ou parceira crescem. A parte “injustiçada” sente que precisa de restituição e começa a procurar por “justiça” a todo custo. Justiça passa a ser apenas uma palavra mais amena para vingança. Sem perceber a alienação parental começa.

Questionário de Auto Avaliação

Faça-se essas perguntas honestamente. Faça isso não por você ou o seu ex-cônjuge, mas pelo seu filho ou filha, o fruto mais sagrado do seu antigo relacionamento.

Para cada questão que responder sim, some um ponto.

1. Você sente que foi injustiçado no casamento?

2. Você sente que o divórcio terminou com você sendo prejudicado?

3. Você sente raiva, frustração ou mágoa constantemente em relação ao seu ex-cônjuge?

4. Você gostaria que ele não encontrasse o filho de vocês com menos frequência?

5. Você acredita que seu ex-cônjuge não é uma boa influência para o seu filho?

6. Você pergunta com frequência e detalhadamente tudo o que seu filho fez enquanto estava na presença apenas do seu ex-cônjuge?

7. Você acredita que seu ex-cônjuge possa fazer mal, voluntária ou involuntariamente, para seu filho?

8. Você checa constantemente o corpo do seu filho em busca de algum indício de violência do seu ex-cônjuge?

9. Você acha que seu ex-cônjuge é uma má pessoa?

10. Você apresentaria seu ex-cônjuge para alguém, no sentido de facilitar o encontro de uma nova pessoa para se relacionar

11. Você não se sente muito à vontade para começar um novo relacionamento?

12. Você se pega chorando ou sentindo-se muito mal com alguma frequência quando se lembra de eventos que considera negativos no seu antigo casamento?

13. Você gostaria que seu ex-cônjuge estivesse sofrendo da mesma forma que você está sofrendo agora?

14. Você tem o desejo de que seu cônjuge não fosse pai ou mãe do seu filho, de que ele tivesse outro pai ou mãe?

15. Você acha que seu filho fica mais feliz quando está longe de seu ex-cônjuge?

16. Você pensa que seu ex-cônjuge não tem nada a contribuir para a educação do seu filho ou filha?

17. Você prefere tomar as decisões referentes ao seu filho e filha sozinha e depois comunicá-las ao seu ex-cônjuge?

18. Você acredita que seu ex-cônjuge é incapaz de ter a guarda principal do seu filho ou filha?

19. Você acredita ser melhor do que seu ex-cônjuge no quesito de educação e cuidado do seu filho ou filha?

20. Você pontua com frequência os defeitos do seu ex-cônjuge para seu filho ou filha?

21. Voce conta para seu filho ou filha acontecimentos particulares e negativos do seu casamento com seu ex-cônjuge?

22. Você ofende ou desmerece a imagem ou o comportamento do seu ex-cônjuge para seu filho?

23. Você desmerece a imagem ou comportamento do seu ex-cônjuge para outras pessoas quando seu filho ou filha está presente ou pode ouvir?

24. Você pergunta para seu filho ou filha que tipo de conselhos seu ex-cônjuge vem dando para ele ou ela?

25. Você descumpre acordos que foram estabelecidos entre você e seu ex-cônjuge em relação à educação conjunta do seu filho ou filha quando lhe convêm?

Se você marcou mais de 15 pontos, se respondeu SIM para mais de quinze perguntas do questionário, existe uma grande propensão a você ou seu cônjuge estarem realizando alienação parental.

Existe uma predisposição em disfarçar as atitudes perniciosas da alienação como cuidado. Mas isso é uma mentira conveniente que machuca a criança.

Dicas para Evitar a Alienação Parental

· Quanto pior for a imagem do seu ex-cônjuge para você, pior será a que você vai passar para o seu filho.

· A criança NÃO é e não pode ser responsável pela separação dos pais. Ela não pode ser utilizada como uma ferramenta de vingança e transporte de acusações ou recados entre vocês.

· É imprescindível que cada um assuma sua responsabilidade na dissolução do casamento e que mantenha o filho fora da briga.

· Não fale mal do outro parente, não desmereça suas atitudes, dê liberdade para que a criança estabeleça o tipo de relação que quiser tanto com seu pai quanto com sua mãe.

· A ação de uma das partes contra a outra causa danos severos na constituição psicológica da criança. Quanto menor ela for mais suscetível ela é e maior será o impacto.

· Pense na saúde do seu filho ou filha, deixe de lado um pouco o seu sentimento de frustração e os motivos que

· Seja adulto. Seja maduro. Seja responsável.

· Você também foi o autor da sua separação. Você também causou danos no relacionamento e também colaborou para o seu fim.

· Assuma sua responsabilidade e retire a criança dessa disputa.

· Seja a melhor pessoa, seja a melhor parte.

· Converse diretamente com o outro genitor ou genitora sobre as decisões referentes à educação do seu filho ou filha. Não mande recados, principalmente através do seu filho ou filha.

· Não interfira nas decisões do outro

· Não dê ideias ou fique dizendo o que a criança deve fazer para se divertir com o outro genitor

· Acredite no seu sentimento maior pelo seu filho

· Estimule o outro genitor a fazer o mesmo

· Busque ajuda especializada para te ajudar a superar a separação SEM destruir o vínculo que você e seu ex-cônjuge tem pela criança.

· Saiba que, por mais que vocês não tenham mais um relacionamento, vocês ainda têm o dever de educar e cuidar de uma criança para que ela se torne um adulto de bem.

· A convivência harmoniosa entre você e seu ex-cônjuge vai influenciar pesadamente como a criança vai se portar em um relacionamento sério quando ela crescer.

· Vocês ainda são as figuras e autoridade e exemplo para a criança. Seja um bom exemplo!

Por: Marcelo Troncoso

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*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

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