Sob a ótica brasileira, o cenário atual oferece mais incertezas do que respostas concretas

 

Quando paramos para analisar e estabelecer projeções para o ano de 2020 em relação ao comércio exterior, é impossível não considerar componentes que impactam diretamente no quadro do país. Em termos mundiais, essa discussão se amplia e mostra-se ainda mais complexa. Mais do que nunca, a tecnologia continua a protagonizar uma verdadeira revolução para as empresas que aspiram um crescimento contínuo.

Com a tendência de que o dólar permaneça em alta, oportunidades surgem para que companhias nacionais busquem seus espaços no mercado internacional. Por outro lado, o custo elevado dos produtos dificulta o consumo interno e a possibilidade de novas importações.

A fim de gerenciar seus processos com mais assertividade e entender como um sistema de gestão orientado à tecnologia pode amenizar riscos, deve-se compreender o meio em que se está inserido. Um ótimo ponto de reflexão é o mais recente acordo estabelecido entre Estados Unidos e China. Entre os vários efeitos consequenciais, analistas destacam uma possível derrocada nas compras chinesas de produtos brasileiros.

Pensando nisso, preparei um artigo destacando questões estratégicas e prováveis cenários do comércio exterior mundial. Acompanhe!

Comércio exterior pós-acordo EUA x China

Atualmente, muito se especula dos impactos comerciais provenientes do acordo firmado entre as duas potências, mas contrariando a expectativa geral, que anseia por respostas concretas e assertivas, a incerteza tomou a forma dessa tensão globalizada. Seria a conclusão da chamada “Fase 1” das negociações entre partes como uma espécie de cessar-fogo? Sabe-se que a redução de tarifas de importação para produtos fabricados na China foi interrompida, mas o texto em si ainda possui informações não divulgadas.

Enquanto especialistas estimam positivamente a “trégua” na guerra comercial entre as duas principais economias do mundo, existe um temor crescente sobre a abertura de novas cisões em países emergentes e/ou membros do continente europeu. Seria plausível o deslocamento das atenções do presidente estadunidense Donald Trump para alvos suscetíveis a sufocamentos tarifários.

O receio generalizado de nações emergentes, com o Brasil incluso, torna-se ainda mais justificável quando enfatizamos a importância da China como destino principal de matérias-primas, o que poderá acarretar um choque inevitável com os anseios dos agricultores norte-americanos.

O panorama do Brasil

Considerando todos os fatores citados anteriormente, como o nosso país se comportará em termos mercadológicos e econômicos? Apesar da fragilidade momentânea que a situação implica em quesitos projecionais, alguns quadros mostram-se plausíveis. Dólar nas alturas, países vizinhos em crise profunda, como é o caso da Argentina, são fatores que questionam a confiança no segmento, outro obstáculo impeditivo para o crescimento. Olhando para frente, a recuperação do otimismo e objetividade é a porta de entrada para novas aspirações factuais.

Reformas conduzidas pelo governo vigente também exercem certo protagonismo nesse sentido; por exemplo, espera-se que a reforma tributária seja recolocada em pauta com a urgência que a temática exige. Essa inconstância afeta empresas de todos os tamanhos, organizações de médio e pequeno porte dependem da cotação do dólar para importar, o que provoca uma queda de importação em fileira.

Apontando uma conexão direta entre o acordo comercial de EUA e China e a realidade de exportação nacional, o maior impactado é o setor do agronegócio, especificamente que cuida da produção de soja ao país chinês. Em contrapartida, para ilustrar uma melhora relacional entre as partes, um estudo recente divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) projetou um aumento de 27% nas exportações entre países da América Latina e China, a médio prazo. Há de se frisar que a condição para que isso se concretize é a redução de custos voltados a tarifas, transporte e logística.

Prováveis mudanças práticas

Em meio à guerra comercial entre Estados Unidos e China, o Brasil tem reinado como maior fornecedor de soja do mundo, capaz de suprir a forte demanda chinesa pelo produto. As tensões globais entre as grandes potências aceleraram esse processo de crescimento. No ano de 2018, chegou-se ao ponto de obtermos um recorde de 69 milhões de toneladas exportadas. A redução desses ganhos, com a efetividade do acordo, é uma realidade cada vez mais próxima.

Quanto ao setor de exportação e importação, no âmbito geral, fica a necessidade de se preparar sistematicamente para um futuro incerto, mas que beneficia àqueles que ousam adotar soluções inovadoras e cedem à transformação como uma grande aliada simplificadora. Manter-se atualizado às novidades que envolvem o tema também é fundamental, considerando o dinamismo do quadro nacional e mundial.

André Barros é CEO da eCOMEX - NSI

Pin It
0
0
0
s2smodern
powered by social2s

*Todo o conteúdo contido neste artigo é de responsabilidade de seu autor, não passa por filtros e não reflete necessariamente a posição editorial do Portogente.

  escreva corporativas