Mais de 20 anos de aventuras e experiências no mar. Um extenso leque de histórias para serem contadas. Atracando em variados portos, praias paradisíacas e longínquas cidades, a Família Schürmann já navegou por águas de todo planeta. Para Vilfredo e Heloísa Schürmann, planejamento e segurança são fundamentais para que tudo corra como o esperado e para que a aventura não resulte em acidentes desagradáveis.

Com a experiência, a preocupação com a segurança aumentou gradativamente, afinal, ao navegar pelos oceanos, ninguém está livre de grandes tempestades. Preocupação que se tornou ainda mais relevante quando os Schürmann começaram a levar em suas viagens os filhos ainda pequenos. Uma criança de um ou dois anos de idade requer atenção redobrada.

Para transmitir todos os cuidados necessários para uma grande viagem pelo mar, o economista Vilfredo e a escritora e professora Heloísa Schürmann realizam palestras por todo o Brasil. Ouvir as histórias vivenciadas por eles é um grande aprendizado. Ainda motivados a retornar ao mar e navegar, sabem reagir em situações perigosas e adversas. Heloísa afirma que a preparação começa ainda em terra.

 

Veja Heloísa alertando para a importância de se planejar uma viagem

Heloísa Schürmann destaca que impõe diversas regras às crianças. A principal delas é bem clara e objetiva. “Obedeça primeiro, pergunte depois”. Isso porque, em casos extremos, a reação de todos os tripulantes – até mesmo dos convidados - tem que ser imediata para que se possa evitar uma fatalidade.

Preparação

Antes mesmo de cair em águas desconhecidas com um veleiro e navegar, Vilfredo e sua esposa foram cautelosos e se precaveram diante dos riscos que iriam enfrentar. “Quando tivemos vontade de aprender a velejar nem barco tínhamos ainda. Foi com os pescadores, na prática, que aprendemos noções de pesca e meteorologia. Depois disso eu e a Heloísa nos preparamos através de cursos de sobrevivência e primeiros socorros, tudo objetivando a organização e a segurança”.

Assim como Heloísa, Vilfredo também tem o seu lema: “Caso você se ache mais esperto que a natureza, é melhor você ficar em casa”. Ele ressalta que não se deve optar pela facilidade ou pelo imediatismo. “Se uma manobra é a mais segura a ser efetuada, faça-a!”. Vilfredo não dá brechas para que a Lei de Murphy (“Se algo pode dar errado, dará errado”) entre em ação.

 

Quem deseja navegar por longos períodos também deve se preparar quanto à manutenção dos equipamentos da embarcação que utilizará. Vilfredo alerta para a importância de conhecer muito bem o funcionamento da embarcação na qual navegará por grandes distâncias e ser auto-suficiente quando surgir a necessidade de reparos. “Afinal, no meio do mar, não tem como chamar alguém para consertar”.

 

Adeptos da frase “é fazendo que se aprende”, Vilfredo e Heloísa deram oportunidade para os filhos executarem todas as funções dentro do veleiro. É essencial que cada tripulante tenha uma função clara dentro da embarcação e que saiba o que fazer em ocasiões de emergência. Organização evita acidentes e perdas.

Equipamentos

Os Schürmann deixam claro que equipamentos de qualidade são necessários para realizar uma viagem tranqüila. Todos os equipamentos devem ser checados e revisados exaustivamente. Uma vez em alto-mar, não há retorno.

 

A balsa salva-vidas é um dos componentes emergenciais. Trata-se de uma pequena embarcação que servirá de abrigo em caso de danos irreparáveis no barco/veleiro. Na balsa deve haver espaço para todos os tripulantes, além de um kit mínimo de sobrevivência, incluindo, em especial, alimentos.

Para acompanhar a balsa, é imprescindível uma bolsa completa de abandonar barco, cuja função está explícita no nome do equipamento. A balsa deve, ainda, estar bem amarrada à embarcação. “Isso é importante, pois já vi casos da balsa se soltar, cair no meio do oceano e haver grandes dificuldades e perigos para resgatá-la, já que alguém terá que se atirar ao mar para segurar a balsa”, conta Vilfredo.

 

O navegador conta que coletes e cintos de segurança são peças essenciais em qualquer embarcação, mesmo nas de pequeno porte. O cinto deve ser utilizado, principalmente, em grandes tempestades, para que o tripulante não seja jogado para fora da embarcação.


Treinamentos e precauções

De acordo com Vilfredo, outros equipamentos que não podem faltar em uma viagem oceânica são bóia de homem ao mar e kit de primeiros-socorros médico e dentário. Ambos necessitam de treinamentos para serem corretamente utilizados. Nas embarcações de serviço também é exigida a presença desse tipo de equipamento.


Cartas náuticas, tábuas de maré e o GPS também são importantes durante a navegação. Todos necessitam de algum preparo para serem utilizados. Vilfredo lembra que é importante levar, além dos materiais eletrônicos, algum equipamento manual também, pois panes podem acontecer. O navegador explica a importância deles. “Um contêiner pode cair de um navio e boiar no oceano. Você precisa ter essa informação o mais rapidamente possível para desviar do contêiner, o que evitaria um grave acidente. Além disso, não se pode deixar de se preparar para tempestades. No oceano você vai enfrentar tempestades, não tem erro. Uma lista básica de proteção inclui vestimentas e alimentação adequadas”.

Durante a primeira volta ao mundo que realizou, a Família Schürmann ficou 11 dias à deriva por causa de uma tempestade. Vilfredo responsabiliza o treinamento pelo fato de saber como agir em situação tão delicada.

Nos últimos vinte anos os Schürmann já percorreram mais de 130 mil quilômetros pelo mar. São números que confirmam a experiência dessa família de aventureiros - no bom sentido - em termos de conhecimento e de segurança de navegação.

São poucas as frases de Vilfredo e Heloísa que não envolvem os termos ‘planejamento’, ‘meta’, ‘organização’ e ‘gestão’. Um digno exemplo de que responsabilidade é necessária mesmo quando se efetua rotinas a que já se está acostumado. A diversão necessita de cuidados para que não resulte em danos irreparáveis.

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