São-paulino "doente", como mesmo se define, o chefe da Polícia Federal em Santos, Ariovaldo Peixoto dos Anjos é um apaixonado pela cidade. Natural de Franco da Rocha (SP) tinha apenas dois anos de idade quando mudou-se  com a família para Santos.

Há quase três décadas na Polícia Federal, lembra com alegria quando passou no concurso para agente policial, em 1977. "Chorei como uma criança. Achei que tinha chegado no meu limite máximo". Três anos depois e veio a conquista do posto de delegado. Chefiou diversas unidades no país, como a de Foz do Iguaçu e, pela segunda vez, a de Santos.

 

O canceriano reconhece a dificuldade em chefiar. "Quando a gente assume, inevitavelmente, a gente tem que adotar posições que mais desagradam do que agradam. Às vezes até nos violentamos".

 

O aprendizado é doloroso, mas recompensador. "Só apanhando, ralando na vida é o que vai realmente dando lastro para você. O resto é camada fina, não resiste. Podem inventar regras, mas a bola vai ser eternamente redonda. Tem coisa na Polícia Federal, ou melhor na vida, que são imutáveis".

 

Com o mesmo estilo de comandar do início de sua carreira, há 30 anos, Ariovaldo consegue chefiar hoje um contingente de mais de 100 policiais da seguinte maneira: "a mesma mão que bate é a que afaga, essa é a minha filosofia. Eu sou o reflexo do agente. Se fez algo bonito, recebe o afago. Se fez algo errado, apanha. Isso é justiça, lição de vida".

 

Para o delegado, o agente policial é a base do departamento. Sabe muito bem aproveitar a sua bagagem como agente para se comunicar com seus subordinados. "É preciso aplicar uma linguagem no nível das pessoas que você quer atingir".

 

Peixoto admite ser muito observador e dificilmente age por impulso. Porém, a chefia tem um preço. "Estou sentado num barril de pólvora. Não sei o que está acontecendo lá na base ou mesmo aqui no prédio. E, muitas vezes, tenho que responder por situações que não são minhas".

 

No começo de sua carreira, Ariovaldo dos Anjos "elegeu" três condutas que carregaria consigo por toda a vida: a honestidade - "mal de família" -, a justiça - "tormento na minha vida" - e o esforço, que "só depende de mim".

 

"Não há nada exatamente igual. Sempre aprendo com as situações por mais parecidas que possam ser".

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